TESTEMUNHA OCULAR (RECORDAÇÕES)
Rubens Borba de Moraes
Organização e notas de Antonio Agenor Briquet de Lemos
Brasília, DF: Briquet de Lemos / Livros, 2011
308 páginas
ISBN 978-85-85637-43-9
R$ 45,00
Estas são as memórias, até agora inéditas, de Rubens Borba de Moraes, que nasceu em Araraquara em 23 de janeiro de 1899, viveu em Paris, Genebra, Nova York, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, e morreu em Bragança Paulista, em 2 de setembro de 1986.
Rubens Borba de Moraes, o maior bibliófilo brasileiro, senta-se ao nosso lado e começa a desfiar sua história de vida, a contar os causos da família de longa linhagem, a falar dos momentos que marcaram seu crescimento e amadurecimento intelectual. Dos sertões de Araraquara, na época de expansão da agricultura cafeeira, aos internatos de Paris e Genebra, da educação recebida de mestres ilustres, da pauliceia da Semana de Arte Moderna, da Brasília, penúltima de um percurso de tantas estações, chega-nos a fluência e o informalismo de sua conversa escrita, quase um blogue por antecipação, em que registra aquilo que viu, viveu e testemunhou. Com destaque para seus anos de menino em Araraquara, os estudos em Genebra, sua participação na Semana de Arte Moderna e sua bibliofilia.
Para adquirir: http://www.briquetdelemos.com.br/testemunha-ocular-recordacoes.html
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Centro de Línguas (curso de idiomas)
O Centro de Línguas, localizado no bairro de Miramar - João Pessoa/PB, está com matrículas abertas para cursos de idioma ao preço de R$ 100,00 por todo o semestre. As aulas começarão em fevereiro.
Matricule-se!
Matricule-se!
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Evento - 24º CBBD
O 24º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação acontecerá no período de 07 a 10 de agosto de 2011, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Maceió - Alagoas.
O evento tem como tema: Sistemas de informação, multiculturalidade e inclusão social.
Valores das Inscrições para o 24º CBBD – 2011:
Inscrição individual: Sócios de Associações de Bibliotecários filiadas à FEBAB e que estejam em dia com suas contribuições de 2010/2011* e Estudantes de Pós – Graduação**:
R$ 300,00 até 28/02/11
R$ 350,00 até 24/04/11
R$ 400,00 até 22/05/11
R$ 450,00 até 01/08/11
R$ 500,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acrescimo sobre o valor correspondente R$500,00.
Inscrição Individual: Não-associados, estrangeiros, outros profissionais e pessoas jurídicas:
R$ 350,00 até 28/02/11
R$ 400,00 até 24/04/11
R$ 450,00 até 22/05/11
R$ 500,00 até 01/08/11
R$ 550,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$550,00.
Inscrição Individual: Estudantes de graduação**:
R$ 200,00 até 29/02/11
R$ 235,00 até 24/04/11
R$ 250,00 até 22/05/11
R$ 300,00 até 01/08/11
R$ 350,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$350,00.
Inscrição Institucional (para 03 participantes):
R$ 980,00 até 28/02/11
R$ 1.130,00 até 24/04/11
R$ 1.280,00 até 22/05/11
R$ 1.430,00 até 20/06/11- não serão aceitas inscrições nesta modalidade após esta data
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$1.430,00.
*Sócios de Associações de Bibliotecários filiadas à FEBAB – Apresentar comprovante de anuidade de 2010 ou 2011.
Observação: Recibos e carteiras de sindicatos e CRBs não comprovam a participação como
sócio de Associações de Bibliotecários.
** Estudantes de graduação e pós-graduação apresentar comprovante de matrícula de 2011 da instituição de ensino.
O link para o formulário de inscrição estará disponível em breve.
Fonte: http://febab.org.br/XXIV_CBBD/
O evento tem como tema: Sistemas de informação, multiculturalidade e inclusão social.
Valores das Inscrições para o 24º CBBD – 2011:
Inscrição individual: Sócios de Associações de Bibliotecários filiadas à FEBAB e que estejam em dia com suas contribuições de 2010/2011* e Estudantes de Pós – Graduação**:
R$ 300,00 até 28/02/11
R$ 350,00 até 24/04/11
R$ 400,00 até 22/05/11
R$ 450,00 até 01/08/11
R$ 500,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acrescimo sobre o valor correspondente R$500,00.
Inscrição Individual: Não-associados, estrangeiros, outros profissionais e pessoas jurídicas:
R$ 350,00 até 28/02/11
R$ 400,00 até 24/04/11
R$ 450,00 até 22/05/11
R$ 500,00 até 01/08/11
R$ 550,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$550,00.
Inscrição Individual: Estudantes de graduação**:
R$ 200,00 até 29/02/11
R$ 235,00 até 24/04/11
R$ 250,00 até 22/05/11
R$ 300,00 até 01/08/11
R$ 350,00 a partir do dia 06/08/11 – inscrições somente no local do evento
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$350,00.
Inscrição Institucional (para 03 participantes):
R$ 980,00 até 28/02/11
R$ 1.130,00 até 24/04/11
R$ 1.280,00 até 22/05/11
R$ 1.430,00 até 20/06/11- não serão aceitas inscrições nesta modalidade após esta data
* Inscrições com pagamento via empenho tem 20% de acréscimo sobre o valor correspondente R$1.430,00.
*Sócios de Associações de Bibliotecários filiadas à FEBAB – Apresentar comprovante de anuidade de 2010 ou 2011.
Observação: Recibos e carteiras de sindicatos e CRBs não comprovam a participação como
sócio de Associações de Bibliotecários.
** Estudantes de graduação e pós-graduação apresentar comprovante de matrícula de 2011 da instituição de ensino.
O link para o formulário de inscrição estará disponível em breve.
Fonte: http://febab.org.br/XXIV_CBBD/
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Leitura age como musculação para o cérebro
Exercício ajuda a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida.
O hábito de ler proporciona muitos benefícios à saúde. A leitura ajuda a reduzir o estresse e estimular a memória. Sua prática age como uma musculação para o cérebro e os médicos recomendam que se leia um livro por mês.
Ao acompanhar um texto, exige-se do cérebro um conhecimento dos sistemas de linguagem, obrigando o leitor a realizar um trabalho ativo de compreensão e interpretação de texto.
E isso ajuda a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo déficits de memória e declínios das funções cognitivas.
(Divulgado no site http://www.ofaj.com.br)
O hábito de ler proporciona muitos benefícios à saúde. A leitura ajuda a reduzir o estresse e estimular a memória. Sua prática age como uma musculação para o cérebro e os médicos recomendam que se leia um livro por mês.
Ao acompanhar um texto, exige-se do cérebro um conhecimento dos sistemas de linguagem, obrigando o leitor a realizar um trabalho ativo de compreensão e interpretação de texto.
E isso ajuda a manter a funcionalidade intelectual ao longo da vida, mantendo a mente ativa e prevenindo déficits de memória e declínios das funções cognitivas.
(Divulgado no site http://www.ofaj.com.br)
Matilda
Ontem a Globo exibiu na Sessão da Tarde o filme MATILDA.
O filme é uma produção canadense do ano de 1996.
Um filme encantador sobre a história de uma menina muito inteligente e que desde pequena descobre a riqueza de um livro e do aprendizado que ele pode proporcionar.
Isto ela demonstra em seu discurso várias vezes durante o filme.
Fica aí a minha dica.
Assista ao filme Matilda.
Vale muito a pena!!!
O filme é uma produção canadense do ano de 1996.
Um filme encantador sobre a história de uma menina muito inteligente e que desde pequena descobre a riqueza de um livro e do aprendizado que ele pode proporcionar.
Isto ela demonstra em seu discurso várias vezes durante o filme.
Fica aí a minha dica.
Assista ao filme Matilda.
Vale muito a pena!!!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Cortar o tempo
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente".
Carlos Drumond de Andrade
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Escrever (por Joaquim Ferreira dos Santos)
10/01/2011
às 15:07 \ Feira Livre
“Escrever”, um texto de Joaquim Ferreira dos Santos
TEXTO PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA
Joaquim Ferreira dos Santos
A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não dicionarizadas e de tudo mais que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas, em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.
Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa, peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.
Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.
Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo afirmativo, reto no assunto. Nada de passar páginas descrevendo o clima da estação, esse aborrecimento suportável apenas quando vemos as curvas da Garota do Tempo recortadas contra o chroma-key do “Jornal Nacional”.
Abaixo o prólogo com a lente aberta, nada daquelas observações sensíveis sobre a paisagem e, a não ser que você seja o Dashiell Hammett ou o Raymond Chandler, esqueça o queixo quadrado do bandido ou a descrição pormenorizada dos personagens. Corte o que for possível. Depois dê uma de Raymond Carver e, nem aí para os pruridos da vaidade, mande o resto para o editor acabar de cortar.
Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite essas metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro parágrafo, pois elas têm a mesma função-paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em busca do verdadeiro sentido da frase que passou.
Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto, doutor.”
É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de escrever.
Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e a vírgula, nunca juntos. Faça com que o primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista H emingway, só frases curtas. Ouça João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.
Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência com até três sílabas. “Pormenorizada”, vista acima, é palavrão absoluto. Dispense, sem pormenores.
O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só confundem o passageiro que quer chegar logo ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê
desses pela frente.
Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na moda, como se estivesse num jornal japonês.
Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que lhe vai na pena da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com isso. O orgulho do próprio “falo”, e fazê-lo firme e com charme, é uma das chaves do ofício.
De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”, “seriamente” ou “bemhumoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras, e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam tudo limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/escrever-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/
às 15:07 \ Feira Livre
“Escrever”, um texto de Joaquim Ferreira dos Santos
TEXTO PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA
Joaquim Ferreira dos Santos
A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse.
Primeiro, evite estes coloquialismos de “fofo” e “moleza”, passe longe das gírias ainda não dicionarizadas e de tudo mais que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em quando, para não acharem que você mora trancado com o Domingos Paschoal Cegalla ou outro gramático de chicote, aplique uma gíria como se fosse um piparote de leve no cangote do texto, mas, em geral, evite. Fuja dessas rimas bobinhas, desses motes sonoros. O leitor pode se achar diante de um rapper frustrado e dar cambalhotas. Mas, atenção, se soar muito escrito, reescreva.
Quando quiser aplicar um “mas”, tome fôlego, ligue para o 0800 do Instituto Fernando Pessoa, peça autorização ao bispo de plantão e, por favor, volte atrás. É um cacoete facilitador.
Dele deve ter vindo a expressão “cheio de mas-mas”, ou seja, uma pessoa cheia de “não é bem assim”, uma chata que usa o truque de afirmar e depois, como se fosse estilo, obtemperar.
Não tergiverse, não diga palavras complicadas, não escreva nas entrelinhas. Seja acima de tudo afirmativo, reto no assunto. Nada de passar páginas descrevendo o clima da estação, esse aborrecimento suportável apenas quando vemos as curvas da Garota do Tempo recortadas contra o chroma-key do “Jornal Nacional”.
Abaixo o prólogo com a lente aberta, nada daquelas observações sensíveis sobre a paisagem e, a não ser que você seja o Dashiell Hammett ou o Raymond Chandler, esqueça o queixo quadrado do bandido ou a descrição pormenorizada dos personagens. Corte o que for possível. Depois dê uma de Raymond Carver e, nem aí para os pruridos da vaidade, mande o resto para o editor acabar de cortar.
Sempre cabe uma linha a menos no texto, é o efeito Rexona aplicado na axila gramatical. Evite essas metáforas complicadas, passe por cima de expressões como “em geral”, como está no primeiro parágrafo, pois elas têm a mesma função-paralelepípedo dos parênteses, dos travessões. Chute para fora da página tudo mais que faça as pessoas tropeçarem na leitura ou darem aquela ré em busca do verdadeiro sentido da frase que passou.
Deixe tudo em pratos limpos, sem tamanho lugar-comum. Ouça a voz do flanelinha semântico gritando a chave para o bom texto. “Deixa solto, doutor.”
É mais ou menos por aí, eu disse para a menina que me perguntou como é essa coisa de escrever.
Para sinalizar o trânsito das ideias, use apenas o ponto e a vírgula, nunca juntos. Faça com que o primeiro chegue logo, e a outra apareça o mínimo possível. Vista H emingway, só frases curtas. Ouça João Cabral, nada de perfumar a rosa com adjetivos.
Mergulhe Rubem Braga, palavras, de preferência com até três sílabas. “Pormenorizada”, vista acima, é palavrão absoluto. Dispense, sem pormenores.
O texto deve correr sem obstáculos, interjeições, dois pontos, reticências e sinais que só confundem o passageiro que quer chegar logo ao ponto final. Cuidado com o “que quer” da frase anterior, pois da plateia um gaiato pode ecoar um “quequerequé” e estará coberto de razão. A propósito, eu disse para a menina, perca a razão quando lhe aparecer um clichê
desses pela frente.
Você já se livrou do “mas”, agora vai cuidar do “que” e em breve ficará livre da tentação de sofisticar o texto com uma expressão estrangeira. É out. Escreva em português. Aproveite e diga ao diagramador para colocar o título da matéria na horizontal e não de cabeça para baixo, como está na moda, como se estivesse num jornal japonês.
Pode-se escrever baixinho, como faz o Verissimo, que ouviu muito Mario Reis para chegar àquela perfeição de texto de câmara. Outra opção é desabafar pelos cinco mil alto-falantes o que lhe vai na pena da alma, como faz o Xico Sá, que aprendeu a escrever com o Waldick Soriano. Escreva com a sonoridade que lhe aprouver, nunca com cacófatos assim ou verbos que façam o leitor perguntar para o vizinho do lado que maluquice é essa de “aprouver”. Fuja da voz passiva, da forma negativa, do gerundismo e principalmente da voz dos outros. Se falo fino, se falo grosso, ninguém tem nada com isso. O orgulho do próprio “falo”, e fazê-lo firme e com charme, é uma das chaves do ofício.
De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar. Alguns deles têm a mania de pegar o bonde no meio do caminho e, com mais parágrafos abertos, mais possibilidades de ele embarcar na viagem que o texto oferece. Escrever é dar carona. Eu disse isso e outro tanto do mesmo para a menina. Jamais afirmei, jamais expliquei, jamais contei ou usei qualquer outro verbo de carregação da frase que não fosse o dizer. Evitei também qualquer advérbio em seguida, como “enfaticamente”, “seriamente” ou “bemhumoradamente”. Antes do ponto final, eu disse para a menina que tantas regras, e outras a serem ditas num próximo encontro, serviam apenas de lençol. Elas forram o texto, deixam tudo limpo e dão conforto. Escrever é desarrumar a cama.
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/escrever-um-texto-de-joaquim-ferreira-dos-santos/
Assinar:
Postagens (Atom)

