quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Adoção de Avaliação por pares aberta

Por Lilian Nassi-Calò
Foto: SciELO.
Foto: SciELO.
A avaliação por pares, um dos pilares que sustenta a comunicação científica, foi pela primeira vez proposta em 1831 por William Whewell à Royal Society de Londres, ao sugerir que uma comissão de eminentes acadêmicos redigisse relatos sobre os artigos enviados para publicação no periódico Philosophical Transactions. Whewell argumentou que estes relatos frequentemente “poderiam ser mais interessantes do que os próprios artigos” e ademais, os autores seriam gratos pelo fato de que seus artigos seriam cuidadosamente revisados por ao menos dois ou três especialistas. O precursor do sistema de arbitragem pelos pares, entretanto, não tinha por objetivo prevenir a publicação de artigos de má qualidade ou propor a criação de um sistema para embasar decisões sobre a publicação. Ele estava, na verdade, buscando aumentar a visibilidade da ciência na sociedade e atribuir uma identidade ao empreendimento científico no Reino Unido, que enfrentava escassez de recursos e de reconhecimento público.
A receptividade da comunidade científica na época não foi das melhores, inicialmente. Foi necessário cerca de uma década para que o sistema de arbitragem fosse aceito e reconhecido, não sem antes enfrentar a ira dos autores: “cheios de inveja, ódio, malícia e falta de caridade, escondidos em alguma câmara secreta, este judiciário científico se utiliza da proteção do anonimato para promover seus interesses pessoais – talvez através de atos de pirataria indetectáveis – em detrimento de autores indefesos”1 (tradução do autor). Se bem que exacerbada, esta reação pode não ser incomum entre autores que tiveram seus artigos rejeitados por meio de pareceres duros.
Foi apenas no final do Século XIX que editores de periódicos adotaram a prática de arbitragem e os pareceristas foram incorporados à engrenagem da publicação científica como forma de assegurar a integridade da literatura acadêmica. Apesar de frequentes tentativas de eliminar “o verdadeiro esgoto lançado no puro fluxo da ciência”, as sociedades científicas do Reino Unido chegaram a considerar unificar seus aparatos científicos e criar um sistema padronizado para supervisionar toda a publicação científica. O plano, entretanto, não foi adiante, pois teria sido necessário arregimentar também editores de periódicos independentes. Não obstante, os pareceristas adquiriram, com o passar dos anos, o caráter de “gatekeepers“, ou guardiões da boa ciência.
Não escapou à análise de muitos, entretanto, de que todo o sistema de arbitragem fosse intrinsicamente falho e pudesse até mesmo impedir que ideias inovadoras fossem publicadas e que, em última análise, deveria ser abolido. Porém, todos sabemos que o sistema sobreviveu até o presente, porém não sem objeções, críticas e ressalvas.
A avaliação por pares passa hoje por um momento de transição e muitos acreditam que é necessário redefinir seus princípios e práticas para não retardar ou impedir o progresso da ciência. Neste sentido, surgiram recentemente alternativas ao modelo tradicional de arbitragem, que usualmente é fechado e mantém confidencial a identidade dos pareceristas (sistema simples-cego) e muitas vezes, também a dos autores (sistema duplo-cego). É interessante notar que desde 1833 prevaleciam os pareceres fechados e anônimos, pois não era considerado adequado ou cordial assinar uma crítica explícita a um colega, e ademais, os pareceres não eram considerados uma expressão pessoal, mas representavam a cátedra do seu autor.
Periódicos como Nature CommunicationsPeer JBMJ e F1000Research oferecem atualmente aos autores a opção de avaliação por pares aberta, ou seja, os pareceres são publicados logo após o artigo, e com o consentimento dos pareceristas, também se publica seu nome e afiliação institucional. Um recente artigo na Nature avalia a crescente adoção desta modalidade de avaliação por pares, comparando-a com uma piscina gelada: “todos estão molhando os dedos, mas ainda estão relutantes quanto a mergulhar”2 (tradução do autor).
Na pesquisa realizada pela Nature Communications, 60% dos autores em 2016 autorizaram a publicação dos pareceres sobre seus artigos, o que levou o periódico a continuar a oferecer esta opção neste ano, sem, entretanto, torna-la obrigatória. Confirmando esta tendência está uma pesquisa ainda não publicada da Comissão Europeia, na qual mais da metade dos mais de três mil entrevistados entre autores, editores e publishers afirmaram que a avaliação por pares aberta deve ser adotada como rotina. Quando questionados se determinados aspectos iriam melhorar, piorar ou não teriam efeito na arbitragem por pares, os respondentes forneceram as seguintes opiniões: 65% afirmaram que discussão aberta entre autores e pareceristas melhoraria/melhoraria muito a avaliação por pares; 55% afirmaram que a publicação dos relatórios de avaliação melhoraria/melhoraria muito a avaliação por pares; 47% são de opinião de que permitir a postagem de comentários abertos ao final do artigo melhoraria/melhoraria muito a avaliação por pares; porém apenas 35% acreditam que a publicação de artigos online antes de passar por avaliação por pares formal melhoraria/melhoraria muito a avaliação por pares e não mais de 30% acham que revelar a identidade dos pareceristas melhoraria/melhoraria muito a avaliação por pares, ao passo que quase 50% acreditam que esta ação pioraria/pioraria muito o processo.
Os resultados da pesquisa, entretanto, são em grande parte influenciados pelo fato de que avaliação por pares aberta tem diferentes significados para diferentes pessoas, afirma Anthony Ross-Hellauer, cientista da informação da Universidade de Göttingen, Alemanha, coordenador do projeto OpenAIRE financiado pela Comissão Europeia. Enquanto alguns acham que se trata apenas de divulgar o nome dos pareceristas e não os relatos, outros acreditam que os relatos anônimos devem ser publicados, enquanto uma parcela dos entrevistados acredita que o processo deve ser totalmente aberto, inclusive com a participação de qualquer interessado. Diferentes disciplinas também têm comportamentos particulares. Na experiência da Nature Communications, 70% dos autores de artigos em ecologia e evolução, biologia molecular e ciências da terra optaram por revisões abertas, enquanto a área da física apresentou o menor percentual. Para uma comunidade familiarizada com o uso do arXiv, entretanto, se trata de um comportamento inesperado.
A prática de tornar públicos os relatos de pareceristas vem sendo consolidada nos últimos anos. Iniciativas como a Publons, e Hypothes.is, criadas em 2014 como start-ups, permitem a publicação de pareceres sobre artigos publicados, com o consentimento dos editores e autores. O publisher multinacional Elsevier publicou nos últimos dois anos pareceres abertos de cinco títulos de sua coleção, e pretende incluir novos títulos este ano.
Os defensores da avaliação aberta argumentam que atribuir responsabilidade aos pareceristas publicando seus relatos e, quando possível, sua identidade, torna o processo mais transparente e justo. Outros fazem ressalvas quanto à possível publicação de pareceres sem o devido conhecimento dos pareceristas, e se os relatos alcançariam a desejada atenção dos leitores. Joseph Tennant, paleontologista no Imperial College em Londres diz que é a primeira sessão do artigo que lê, depois do resumo, porém não se conhece a extensão de pesquisadores que fariam o mesmo.
Csiszar, em seu artigo na Nature, informa que o termo ‘peer-review’ vem dos procedimentos que agências públicas de fomento utilizavam para definir os outorgados de auxílios à pesquisa. Quando o sistema de revisão se tornou ‘avaliação pelos pares’, adquiriu um forte símbolo público de que a ciência tem mecanismos para se autorregulamentar e gerar consenso, mesmo sem a certeza se os pareceristas estão aptos a um empreendimento desta magnitude. Ele considera que o atual debate da comunidade científica em repensar a forma como a avaliação por pares é realizada considera inúmeros fatores, como a psicologia do viés, a questão da objetividade, a habilidade de avaliar confiabilidade e importância, porém raramente considera o histórico da instituição ‘peer review‘, que “não se desenvolveu apenas da necessidade dos cientistas de confiar na pesquisa de seus pares, foi também uma resposta à demanda política por responsabilidade pública. Entender que outras práticas de avaliação da ciência tiveram seu lugar deve ser parte de qualquer tentativa responsável no futuro.”1 (tradução do autor)

Notas

1 CSISZAR, A. Peer review: Troubled from the start. Nature. 2016, vol. 532, pp. 306–308. DOI: 10.1038/532306a
2 CALLAWAY, E. Open peer review finds more takers. Nature. 2016, vol. 539, pp. 343. DOI: 10.1038/nature.2016.20969

Referências

CSISZAR, A. Peer review: Troubled from the start. Nature. 2016, vol. 532, pp. 306–308. DOI: 10.1038/532306a
CALLAWAY, E. Open peer review finds more takers. Nature. 2016, vol. 539, pp. 343. DOI: 10.1038/nature.2016.20969
NASSI-CALÒ, L. Artigo analisa a saturação dos revisores por pares. SciELO em Perspectiva. [viewed 06 January 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/01/22/artigo-analisa-a-saturacao-dos-revisores-por-pares/
NASSI-CALÒ, L. Comentando a literatura acadêmica online. SciELO em Perspectiva. [viewed 06 January 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2015/12/08/comentando-a-literatura-academica-online/

Links externos

Publons – http://publons.com/
Hipothes.is – https://hypothes.is/
Projeto OpenAIRE – https://www.openaire.eu/
 

lilianSobre Lilian Nassi-Calò

Lilian Nassi-Calò é química pelo Instituto de Química da USP e doutora em Bioquímica pela mesma instituição, a seguir foi bolsista da Fundação Alexander von Humboldt em Wuerzburg, Alemanha. Após concluir seus estudos, foi docente e pesquisadora no IQ-USP. Trabalhou na iniciativa privada como química industrial e atualmente é Coordenadora de Comunicação Científica na BIREME/OPAS/OMS e colaboradora do SciELO.

Como citar este post [ISO 690/2010]:
NASSI-CALÒ, L. Aumenta a adoção de avaliação por pares aberta. SciELO em Perspectiva. [viewed 11 January 2017]. Available from: http://blog.scielo.org/blog/2017/01/10/aumenta-a-adocao-de-avaliacao-por-pares-aberta/

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Webinar discute plágio

A Editora Springer  realiza um webinar (conferência pela internet), no próximo dia 24, das 15h às 16h30, com a professora Marília Ferreira, da USP, sobre um panorama dos estudos sobre o plágio no Brasil. Ela vai abordar três aspectos: uma comparação entre as visões brasileira e anglófona; o tratamento dado ao plágio pela academia brasileira e os desafios que esse tema impõe a pesquisadores e pós-graduandos.
A capacidade da sala virtual é limitada a cem participantes e a inscrição é feita on-line. O participante deverá dispor de computador ou notebook com saída/caixa de som e internet banda larga e se conectar alguns minutos antes do início da sessão.
Marília Ferreira é mestre em Linguística Aplicada pela Unicamp (2000), doutora em Linguística Aplicada pela Penn State University (2005) e pós-doutora pela Universidade de Bath (2013). Atualmente, é professora livre-docente do Departamento de Letras Modernas da USP, atuando tanto na graduação quanto na pós-graduação.
Suas pesquisas se concentram em investigar o ensino-aprendizagem de língua estrangeira sob a ótica sócio-histórico-cultural e da atividade. Suas pesquisas têm se concentrado mais especificamente na investigação do letramento acadêmico em inglês e na promoção de seu ensino sob essa ótica. Em 2012, fundou o Laboratório de Letramento Acadêmico em Línguas Materna e Estrangeiras da USP, ocupando o cargo de coordenadora geral.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Centro de Memória da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Especialista fala sobre a importância da construção de um centro de memória que represente as ações da instituição ao longo de sua história e fortaleça seu desenvolvimento futuro
Preservar a memória de uma entidade é manter a sua história viva e, assim, fortalecer o seu desenvolvimento. Para isso, é importante conservar e organizar documentos de várias naturezas, como cartas, publicações, imagens, objetos. Com essa premissa, a professora Ana Maria Camargo, doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP) e uma das integrantes da Comissão da Memória da SBPC, apresentou uma palestra para os funcionários e colaboradores da instituição com dois objetivos: explicar a importância do “Centro de Memória da SBPC” – que resguarda, por meio de materiais e suportes variados, um misto de arquivo, biblioteca e museu; e para esclarecer a importância do trabalho individual na construção desse novo “espaço”.
O “Projeto Memória SBPC” foi criado em agosto de 2004 e já passou por várias etapas: levantamento, organização, conservação, restauração e análise descritiva do material acumulado nos seus quase 70 anos de existência. Em março de 2015, a SBPC retomou o projeto com uma nova equipe, coordenada pela historiadora Áurea Gil. Desde então, o acervo foi reorganizado e ganhou um espaço físico na sede da instituição. Em breve, estará disponível também em uma plataforma digital. O objetivo é criar um acervo da entidade, que estará disponível a estudantes, pesquisadores e tantos outros interessados em conhecer e estudar a trajetória dessa tão importante sociedade e seu trabalho para o desenvolvimento cientí­fico nacional.
Durante sua explanação, Camargo explicou que um centro de memória é uma área, setor ou unidade – dentro de cada instituição – que tem como objetivo reunir, organizar, conservar e produzir conteúdo a partir da memória institucional, presente tanto na documentação histórica da organização quanto na memória de seus colaboradores e de outros atores relacionados à vida da instituição.
Para ela, este espaço tem como objetivo resgatar e criar um elo entre o passado e o presente, tornando-se grandes setores de consultas para a instituição. “Os documentos são a matéria prima da memória institucional, em sua demanda por informação qualificada. O arquivo tem que representar a instituição”, disse.
Construir coletivamente
Segundo a historiadora, a memória de uma organização está também nos indivíduos que fazem parte da história da instituição. “É papel também desse Centro coletar a memória dessas pessoas, utilizando diversos arquivos, como por exemplo, recortes de jornais, fotografias da trajetória individual de cada um”, disse.
Claudia Masini d’Avila-Levy, secretária geral da SBPC, também destacou a importância da colaboração de todos que fazem parte da instituição. “A integração de todos com o projeto é fundamental para construirmos coletivamente uma história, um presente e um futuro para a SBPC”, concluiu.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Termo de parceria entre o Museu do Amanhã e o Science Museum

Museu do Amanhã convida a imprensa para acompanhar nesta quarta-feira, dia 17 de agosto, a partir das 10h, o evento que marcará a assinatura do termo de parceria com o Science Museum Group, que responde pela bandeira Science Museum de Londres e suas instituições afiliadas. O objetivo é promover o intercâmbio de conteúdo na área da ciência, por meio de ações como exposições, artigos e debates internacionais. É o primeiro acordo da instituição britânica com um museu de ciência. Na ocasião, o diretor-presidente do Science Museum, Ian Bletchford, fará a apresentação “The Human Face of Science”, sobre o segredo do sucesso do museu londrino em desmistificar a ciência, ao mesmo tempo em que a transforma em obra de arte.
Estarão presentes: Ian Bletchford, diretor-presidente do Science Museum; Alex Ellis, embaixador do Reino Unido; Ricardo Piquet, diretor-geral do Museu do Amanhã; Luiz Alberto Oliveira, curador do Museu do Amanhã; e cientistas britânicos.
Parceria Museu do Amanhã e Science Museum Group
Dia: 17/08/2016
Local: Observatório do Museu do Amanhã (Praça Mauá, nº 1 – Centro)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Possibilidade de intercâmbio em Museologia

Matéria muito interessante sobre intercâmbio em Museologia.

Intercâmbio em Museologia

Artigo escrito pela bibliotecária Gabrielle Francinne Tanus* e publicado
no boletim UFMG de 21/03/2016
O crescimento da Museologia no país está relacionado com os esforços de professores e pesquisadores na construção e ampliação dos cursos de graduação e com as ações do Plano Nacional de Museus (PNM) e do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Os investimentos do Governo Federal na área museológica, na última década, por meio das ações do Ministério da Cultura (MinC), tiveram reflexos na criação de novos museus e instituições que cuidam do patrimônio e da memória, o que gerou a necessidade de profissionais com formação em Museologia – os museólogos.
Ainda como parte integrante dessa política cultural, houve a criação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia federal responsável pelo setor museológico e pelos museus federais. Nesse cenário, acreditamos que as ações em prol do crescimento e do fortalecimento das instituições museais despertaram também nas instituições de ensino superior o reconhecimento da importância de formar profissionais bem preparados para trabalhar nesses espaços.
É preciso, pois, divulgar a oferta dos cursos de Museologia no Brasil e algumas possibilidades de estudo no exterior, a fim de incentivar alunos e egressos a buscarem intercâmbio dentro do próprio país e em outros. Atualmente, são 17 cursos em funcionamento, distribuídos nas cinco regiões brasileiras: quatro cursos na Região Nordeste (UFRB, UFPE, UFBA e UFS); quatro na Região Sul (UFRGS, UFSC, UFPel e Unibave); seis cursos na Região Sudeste (UFMG, Ufop, Unirio, Unifai, Faeca e Unicastelo); dois na Região Centro-Oeste (UnB e UFG); um curso na Região Norte (UFPA). Além dos cursos de graduação, em sua maioria nas universidades públicas, existem também os cursos técnicos, de especialização e de pós-graduação em Museologia.
Há oportunidades de formação e aprimoramento para alunos (calouros e veteranos) e para os egressos dos cursos de Museologia, que podem realizar intercâmbios interinstitucionais. A experiência do intercâmbio possibilita outras vivências, troca de conhecimentos e proximidade com outras práticas museológicas, tão importantes para o fortalecimento do campo, além de do contato dos alunos com outras rotinas, outras realidades.
Para os interessados no intercâmbio internacional, existem possibilidades na Alemanha (Johannes Gutenberg-Universität Mainz; Ruhr Universität Bochum); na Argentina (Universidad Nacional de La Plata); na Austrália (University of Sydney; University of Canberra); no Canadá (Université du Québec; Université Laval); na Croácia (University of Zagreb); na Espanha (Universidad de Sevilla; Universidad de Jaén); nos Estados Unidos (Baylor University; University of Texas at Austin); na Finlândia (University of Applied Sciences); na França (Université Blaise Pascal; Université de Grenoble); na Holanda (Vrije Universiteit Amsterdam; Reinwardt academy); na Índia (University of Calcutta; Aligarh Muslim University; Jiwaji University); na Inglaterra (University Of Leeds; University of Manchester; University of Central Lancashire; University of Brighton); em Israel (Bezalel Academy of Arts and Design); na Itália (Università Degli Studi di Bologna; Università Degli Studi di Siena); no México (Escuela Nacional de Conservación, restauración y museografía); na Nova Zelândia (University of Massey); em Portugal (Universidade do Algarve; Universidade do Porto; Universidade de Évora), entre muitos outros países.
O curso de Museologia, como é chamado em nosso país, recebe, em outros lugares, denominações como Museum Studies, no caso dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia. Na Europa, a formação do museólogo ocorre, sobretudo, em escolas de Artes, de História e em programas de Estudos Culturais. A Universidade do Porto, em Portugal, particularmente, oferta o mestrado e o doutorado em Museologia.
As universidades citadas representam apenas parcela de uma centena de possibilidades de intercâmbio, pois existem outros programas de graduação ou pós-graduação destinados a estudantes de Museologia, dada a natureza interdisciplinar das instituições museais e do campo do conhecimento. É importante ressaltar que o interessado em realizar intercâmbios deve estar atento ao grau do curso de Museologia oferecido no país de destino, porque, diferentemente do Brasil, em outros países é comum a oferta desse curso no nível da pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado).
Vale a pena também conferir no Setor de Intercâmbios da Diretoria de Relações Internacionais da UFMG a existência de convênios vigentes entre a UFMG e a instituição desejada, o que facilita esse trânsito.
Os museus e seus visitantes agradeceriam. Programem-se, e boa viagem!
*Doutoranda em Ciência da Informação e bibliotecária da Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG


terça-feira, 12 de julho de 2016

UFPE e UFRN no ranking das revista Times Higher Education


Ranking da revista inglesa THE é considerado um dos mais relevantes na área de educação superior
As universidades federais de Pernambuco (UFPE) e a do Rio Grande do Norte (UFRN) constam entre as 50 melhores instituições de ensino superior da América Latina. A classificação publicada na quinta-feira, 7, pela revista inglesa Times Higher Education (THE), mostrou que as nordestinas alcançaram a 21ª e a 31ª posições, respectivamente no ranking.
Das cinco primeiras colocadas na América Latina três são brasileiras: pela ordem, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a Universidade do Chile e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O ranking é considerado um dos mais relevantes na área de educação superior.
A avaliação considera cinco grupos de critérios: ensino (ambiente de ensino), pesquisa (volume, investimento e reputação), citações (influência da pesquisa), perspectiva internacional (docentes, estudantes e pesquisadores) e transferência de conhecimento para a indústria (inovação).
Evolução
Informada a respeito desse desempenho da UFRN em âmbito continental, a reitora Angela Maria Paiva Cruz, observou que esse é um dos resultados do esforço institucional na busca da excelência no ensino, na pesquisa, extensão e inovação.  “Mas não chegaríamos a essa qualidade no ensino superior do RN se não fizéssemos a expansão regional, por meio da interiorização, e internacionalização, via acordos bilaterais de cooperação técnica para estudos de graduação e desenvolvimento de pesquisa”, colocou a reitora.
A gestora da UFRN fez questão de reconhecer a pesquisa como um elemento fundamental para a evolução da UFRN. “De 2011 para cá já ultrapassamos mais de 100 pedidos de patente, registro e/ou certificação de processos e produtos gerados por pesquisadores das mais diferentes áreas do conhecimento. Isso faz o diferencial de uma universidade”, disse Angela Paiva.
Times Higher
Anteriormente chamada de The Times Higher Education Supplement, Times Higher Education – THE - é uma revista inglesa que publica notícias, artigos e opiniões sobre educação superior.  Faz, também, rankeamento de instituições desse nível de ensino. Esse ranking é uma das três classificações internacionais de universidades mais influentes e observadas.