segunda-feira, 8 de abril de 2019

A universidade é uma Fábrica de conhecimento

Interessante a matéria intitulada "Fábrica de conhecimento", pois a sociedade precisa reconhecer o valor e o trabalho desenvolvido nas universidades públicas do país. A visão limitada da sociedade faz com que o poder pública venham dando às universidades um papel que não condiz com a sua importância para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil. Para além disso, cabe o conhecimento de que a atuação do professor engloba inúmeras atividades, que não só o ensino em sala de aula.

Recomendo a leitura:

O que são, como funcionam e para que servem as universidades públicas de pesquisa
“O senhor dá aula aqui?”, é uma pergunta que o cientista Walter Colli ouve com frequência dos taxistas que o trazem para a Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã. Professor titular por três décadas, aposentado desde 2009, ele ainda comparece regularmente à sua sala no Instituto de Química, onde atua como colaborador sênior da instituição. “Não só dou aula”, responde o professor, de 79 anos, com uma pitada de indignação. “Isso aqui é uma universidade de pesquisa, não é uma escola.”
A diferença é óbvia para ele e tantos outros que trabalham com pesquisa e ensino superior no País, mas não para grande parte da sociedade, como mostram os resultados da última pesquisa sobre Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil, realizada em 2015 pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). De um total de quase 2 mil pessoas entrevistadas, apenas 13% souberam citar o nome de pelo menos uma instituição de pesquisa nacional. E dentre esses poucos, apenas uma minoria citou o nome de alguma universidade. As instituições mais lembradas foram a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com 19% das citações, seguida da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Butantan. A USP aparece em quarto lugar, com 10%.
Veja o texto na íntegra: Jornal da USP

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A Biblioteca Brasiliana da USP perde Cristina Antunes

Curadora da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP desde 2013, Cristina Antunes morreu no dia 26 de março, aos 68 anos. Durante 34 anos, metade de sua vida, Maria Cristina Carvalho Antunes administrou a coleção do bibliófilo José Mindlin (1914-2010), antes da transferência dessa coleção para a Cidade Universitária, e depois continuou seu trabalho na biblioteca, sendo, provavelmente, quem mais conhecia aquele acervo. Ela dizia que Mindlin “queria inocular o vírus da leitura em qualquer pessoa que se aproximasse dele” e que a maior vontade do bibliófilo era “deixar algo para futuras gerações”.
A coleção brasiliana de Mindlin e de sua esposa Guita, reunida ao longo de mais de 80 anos, apresenta 32,2 mil títulos, que correspondem a 60 mil volumes – dos quais cerca de 3 mil títulos estão disponíveis para livre acesso e download.
No livro Memórias de uma Guardadora de Livros, que publicou em 2004 pela Imprensa Oficial e Escritório do Livro, Cristina passeia pelas prateleiras da Biblioteca Mindlin, contando histórias sobre esta que é considerada a mais importante coleção do gênero formada por particulares.
No livro, em entrevista a Cleber Teixeira e Dorothée de Bruchard, Cristina fala de sua trajetória, do seu cotidiano em uma biblioteca que acolhe pesquisadores do mundo inteiro e da qual era conservadora, além de refletir sobre seu ofício e aprendizados ao lado de Mindlin. Ela conta como seu trabalho estava dividido em dois momentos distintos: o primeiro, quando trabalhou durante anos sozinha na biblioteca, “o momento de maior aprendizagem”, e o segundo, quando a biblioteca foi ficando conhecida e cada vez mais procurada por pesquisadores e especialistas, trazendo “uma enorme possibilidade de troca”. Conta também que “a dinâmica da biblioteca se confunde com a dinâmica da família, se confunde com a dinâmica da casa”.

Para Cristina, a Biblioteca Mindlin tem um caráter bem diferente, um caráter público, de centro provedor de informação. “Talvez esse seja o seu grande diferencial. Conhecemos muitos colecionadores que formaram bibliotecas particulares fantásticas, mas liberar o seu acervo para ser consultado, querer que o livro seja lido, estudado, conhecido — acho que esse é o ponto que distingue a biblioteca onde eu trabalho”, escreveu, ressaltando ainda que a postura de José Mindlin – e também a dela mesma – sempre foi de que “conhecimento é para ser partilhado”.
Memórias de uma Guardadora de Livros foi lançado em uma caixa ao lado de Memórias Esparsas de uma Biblioteca, de José Mindlin, comemorando na época os mais de 20 anos de parceria entre ambos. Ainda lançou, pelo selo BBM, Rubens Borba de Moraes: Anotações de um Bibliófilo. Com mais de 1.700 títulos, a biblioteca de Rubens Borba de Moraes – amigo e interlocutor de Mindlin – faz parte atualmente do acervo da BBM.
Graduada em Educação, com especialização em Ciência da Informação pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, e em Paleografia pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, Cristina também trabalhava como paleógrafa e tradutora. Não tinha formação em Biblioteconomia, e afirmava que era bibliotecária de paixão, de cuidado com o livro, dividindo com Mindlin o amor aos livros.
Apaixonada pelos livros
“Encontrei a Cristina Antunes pela primeira vez quando estive pesquisando na casa do José Mindlin. Mas a conheci, de fato, há três anos, quando trabalhamos juntos, já na Biblioteca Brasiliana Mindlin”, conta o diretor da BBM, professor Carlos Alberto Zeron. “Cristina era uma pessoa apaixonada pelos livros, muito especialmente pelos livros guardados na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, dos quais conhecia cada detalhe singular:  histórias de como chegaram ao acervo, cor, textura e, claro, seu conteúdo. Pois Mindlin só trabalhava com quem gostasse de livros, com quem os lesse. Por ter convivido tão amorosamente com os livros, quase até o ciúme, esse conhecimento conferia-lhe muita competência, de modo que todos nós, colegas ou pesquisadores, a consultávamos sempre e sobre tudo o que concernia ao acervo.” Para Zeron, a morte da Cristina significa uma perda muito grande, “não apenas porque era uma pessoa querida, mas também porque tinha uma experiência imensa. Ela sempre foi muito generosa em partilhá-la conosco. Precisaremos de tempo tanto para assimilar essa perda como para tentar ombrear o saber prático que ela acumulou sobre o acervo da Brasiliana”.
O professor Plinio Martins Filho, editor das Publicações BBM – o ramo editorial da Biblioteca Brasiliana -, conhecia Cristina desde a década de 80, quando ela já trabalhava com Mindlin. “Ela era a memória da biblioteca, acompanhou a formação da biblioteca na casa de Mindlin e a sua transferência para a USP”, relata, acrescentando que ela viveu em função da biblioteca quase toda a sua vida profissional. Segundo o professor, era uma parceira na biblioteca, muito competente e solícita em tudo que se precisasse em relação ao acervo. “É uma falta muito grande para o livro.”
Segundo a pesquisadora Sônia van Dijck, doutora em Letras pela USP, que publicou uma resenha de Memórias de uma Guardadora de Livros no Correio das Artes, suplemento literário do jornal paraibano A União, “Cristina viajou, conheceu bibliotecas, estudiosos, escritores; informou-se acerca das novas tecnologias; buscou sempre melhor servir à biblioteca”. “Sua comunhão com a biblioteca é notável. Sei que nós outros pesquisadores dela muito pedimos; mas sei que sua boa vontade e seu entusiasmo por nossas pesquisas são infalíveis. Se Cristina pôde fazer amizades que lhe são queridas, os pesquisadores têm oportunidade de conhecer uma profissional que sabe o caminho das pedras e nos trata com respeito”, escreveu.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Oportunidade de treinamento na Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ)

O Laboratório de Pesquisa, Conservação e Restauração de Documentos e Obras de Arte (Laborarte) da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), lançou no dia 18/3, edital para um novo Treinamento Noções de Preservação de Acervos em Papel

O treinamento engloba um ciclo de cursos que ensina conservação, desinfestação, higienização e acondicionamento de documentos com suporte em papel. 

O treinamento é voltado para servidores vinculados a instituições públicas e estudantes universitários dos cursos de Arquivologia, Museologia, Biblioteconomia, Arqueologia e História, a partir do 5º período. 

Período de inscrições: 25 de março a 15 de abril de 2019.

Edital: https://www.fundaj.gov.br/images/stories/imprensa/EDITAL_TREINAMENTO_PRESERVACAO_PAPEL_LABORARTE.pdf

quarta-feira, 27 de março de 2019

Inclusão da data de nascimento ou adoção de filhos no Currículo Lattes

A proposta foi motivada por demanda apresentada por um grupo de cientistas reunidas no Projeto Parent in Science
A data de nascimento e de adoção de filhos passará a fazer parte das informações que poderão ser colocadas no Currículo Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa foi aprovada pela Diretoria Executiva da agência no último dia 19 de março.
Essa informação será de preenchimento facultativo, no campo de Dados Pessoais, tanto para homens quanto para mulheres, e não será exibida nas consultas públicas dos currículos, podendo, no entanto, subsidiar o levantamento de dados e a realização de estudos sobre o impacto da maternidade e da paternidade na carreira científica.
A proposta foi motivada por demanda apresentada por um grupo de cientistas reunidas no Projeto Parent in Science, que sensibilizou a Diretora de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Profa. Adriana Tonini, que encaminhou a proposta à Diretoria Executiva neste mês.
Para Adriana Tonini, “trata-se de um avanço importante, que permitirá conhecer, de maneira abrangente, dados sobre o impacto do nascimento ou adoção de filhos na produtividade e na carreira de mães e pais cientistas. Como o Currículo Lattes é uma base de dados largamente utilizada, as informações poderão servir de subsídio para diagnósticos, avaliações e outras iniciativas sobre a temática”.
Com a aprovação, a proposta seguirá fluxo de desenvolvimento e implementação, devendo estar disponível para preenchimento no Currículo Lattes nos próximos meses.
O fomento a ações de promoção da equidade entre homens e mulheres na ciência e tecnologia é uma das principais exigências mundiais da área. No caso brasileiro, iniciativas nesse sentido são particularmente importantes, pois há um cenário em que, apesar do número crescente de mulheres que recebem bolsas de formação, elas ainda são minoria em algumas áreas do conhecimento (nas ciências exatas, engenharias e computação) e em algumas bolsas de maior prestígio (como a Bolsa de Produtividade em Pesquisa). Parte da discussão sobre implementação de políticas para fomento à participação de mulheres na C&T é dirigida à atração de mulheres para a área; outra parte também importante é a mudança de determinados mecanismos de exclusão ou estagnação na carreira científica.
O CNPq tem sido pioneiro na discussão e enfrentamento do tema. O Programa Mulher e Ciência, criado em 2005, foi o vetor de uma série de iniciativas que promovem um ambiente mais equânime no campo da ciência, da tecnologia e da inovação, com destaque para a aprovação da prorrogação de bolsas – por um período de 4 ou 12 meses, a depender da modalidade da bolsa – em caso de parto ou adoção.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Obras para download no site do Sistema Estadual de Museus de São Paulo

O Sistema Estadual de Museus de São Paulo, em seu site, https://www.sisemsp.org.br/documentos-de-referencia/?fbclid=IwAR0RbzbbKanBU0tkkOTVClJ-4vYw6IlmfzaIed90E-eATeHj6twLzTSSNpg, encontra-se uma série de obras (livros e periódicos) sobre Museus e Museologia e suas temáticas para download.

Vale a pena acessar e baixar as obras de interesse.

#ficaadica

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

USP lança guia para orientar cientistas no relacionamento com a imprensa

A Superintendência de Comunicação Social (SCS) da Universidade de São Paulo (USP) disponibilizou o guia “De cientista para jornalista – noções de comunicação com a mídia”, de autoria das jornalistas Luiza Caires e Aline Naoe.
O material mostra a estrutura de comunicação da USP e os canais de contato com a mídia que estão à disposição. São oferecidas orientações práticas para acessar esses canais, explicações do funcionamento da mídia, a diferença de linguagem dos veículos, como fazer um tema virar pauta, redigir um press release, saber a rotina dos jornalistas e quando contatá-los.
“Cientistas que usam bem a mídia e estão presentes nos meios de comunicação conquistam bons resultados para eles próprios, para seus projetos e para suas organizações”, disse Caires ao Jornal da USP.
As autoras destacam que faz parte da missão da USP tornar acessível a um público mais amplo o conhecimento e a inovação que a universidade produz. Ações de difusão da ciência também ajudam a população a tomar decisões na vida diária de maneira mais bem informada, melhorando a qualidade de vida.
O guia tem 27 páginas e está disponível livremente em formato pdf na internet.
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/28-usp-lanca-guia-para-orientar-cientistas-no-relacionamento-com-a-imprensa/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Lá se vão 4 meses da tragédia do Museu Nacional

Não podemos esquecer a tragédia do incêndio do Museu Nacional. Lá se vão quatro meses.
Hoje ao receber a newsletter do Jornal da Ciência, deparei-me com a seguinte notícia acerca da busca de recursos para a recuperação do Museu Nacional.
Recomendo a leitura da matéria:
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O diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Alexander Kellner, está em Brasília para buscar diálogo com o novo governo e pedir a continuidade das ações para a recuperação do local. Ele participou da posse do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, e afirmou que a recepção foi positiva. “O ministro chegou a segurar um botton com os dizeres Museu Vive.”
Ontem (2) fez quatro meses desde o incêndio que destruiu 90% do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista. O espaço recebeu ajuda do governo federal e, também, de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a reconstrução. Segundo o diretor ainda falta muito a ser feito.
Por estar ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolver pesquisas e ter também função cultural, a instituição está sob os cuidados de três ministérios: da Educação (MEC), da Cultura (MinC) e do MCTI. “O primeiro passo que estamos buscando é justamente o contato com o governo”, disse. A prioridade é a manutenção do apoio financeiro do MEC para o escoramento do edifício. “O resgate é a principal tarefa agora e para fazer o resgate é preciso estabilizar o prédio”.
Kellner ainda não tem audiências agendadas. Junto ao MinC, ele vai pleitear apoio aos projetos e também recursos. A pasta não liberou nenhum recurso financeiro até o momento para a reconstrução do museu. Junto ao MCTI, a busca é por ajuda para a reconstrução do prédio de laboratórios.
“O Museu Nacional é um bem que transcende tudo. Essa situação negativa que aconteceu com o Museu repercutiu muito mal para o país. Acho que é do interesse de todos a reconstrução do Museu o quanto antes. Recebemos mais de 5 mil cartas e manifestações de instituições de dentro e fora do país lamentando a situação”, defende o diretor.
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-em-brasilia-diretor-do-museu-nacional-busca-apoio-do-novo-governo/