quarta-feira, 26 de junho de 2019

Castelo da FIOCRUZ - visita virtual

Olá, seguidores do Blog Informação em cena.
Olhem que notícia fantástica!
Não percam tempo! Façam a visita virtual ao Pavilhão Mourisco (Castelo da FIOCRUZ), símbolo da Ciência do Brasil.
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Castelo Mourisco está concorrendo a símbolo do Patrimônio da Humanidade, da Unesco
O Pavilhão Mourisco, mais conhecido pela população como “Castelo Fiocruz”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é uma referência para quem passa pela Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, chegando ou saindo da cidade, indo ou voltando do trabalho. “Um castelo no meio da floresta”, dizem alguns. “Uma lembrança da infância”, destacam outros. Ícone no imaginário carioca, o edifício é, também, um símbolo da ciência brasileira e candidato a Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Nem todo mundo sabe, porém, que esse Castelo guarda muitos tesouros. Mosaicos inspirados em tapeçaria árabe. Livros, fotos, documentos e objetos históricos. Coleções entomológicas que expõem insetos de várias regiões do Brasil. Detalhes arquitetônicos que, além de raros, testemunharam o nascimento e o desenvolvimento da saúde pública brasileira. Para fazer uma visita completa a esse Castelo, basta vir à Fiocruz no Rio de Janeiro, mas para quem não puder, poderá fazer uma visita virtual ao Castelo Mourisco, graças ao Tour 360º, um passeio virtual desenvolvido pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com outras áreas da Fundação, como a Presidência, a Coordenação-Geral de Administração (Cogead), Bio-Manguinhos e a Casa de Oswaldo Cruz (COC). O lançamento desse tour virtual ocorreu na sexta (31/5), durante as comemorações dos 119 anos da Fiocruz.
Produto web que pode ser acessado em computadores, tablets e celulares, a visita virtual ao Castelo Mourisco é repleta de surpresas. À medida que avança pelas escadarias e corredores da edificação, os internautas encontram ícones que abrem janelas com informações históricas, curiosidades e a descrição de detalhes arquitetônicos. Além disso, podem acessar as exposições, de forma similar ao que já é feito em ambientes virtuais de museus ao redor do mundo.
Diversidade e trabalho em equipe, afinal, são palavras-chave na trajetória do próprio Castelo, que teve o esboço feito por Oswaldo Cruz, mas foi projetado pelo arquiteto Luiz Moraes Junior. Sua construção começou em 1905, e foi concluída em 1918. A inspiração neomourisca veio do Palácio de Alhambra, em Granada (Espanha), mas seu estilo é considerado eclético. Desde 1981, o conjunto arquitetônico do Castelo Mourisco é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico e, atualmente, é candidato a Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
Só em imagens, foram produzidas mais de mil fotos para a confecção do hotsite especial. Dessas, mais de 400 já tratadas estão disponíveis na galeria Mourisco, do banco de fotos Fiocruz Imagens, que pode ser acessado mediante cadastro gratuito. Toda a produção do projeto foi coordenada por Leonardo Oliveira, analista de sistemas do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde – Icict, da Fiocruz.
E para saber mais sobre visita virtual ao Castelo Mourisco – Tour 360, clique aqui https://www.icict.fiocruz.br/content/castelo-mourisco-ganha-tour-virtual
Assessoria de Imprensa

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Universidade pública: patrimônio da nação por Nelson Pretto

Prezados leitores do Blog Informação em cena
Segue matéria veiculada no Jornal da Ciência de autoria do Professor Nelson Pretto da Universidade Federal da Bahia.
Vale a pena a leitura sobretudo porque a universidade pública brasileira vem sofrendo com o contigenciamento imposto pelo atual governo federal.
Independente de divergências partidárias, lutemos pela Educação, lutemos pela universidade pública e gratuita!

Estamos vivendo ataques ao nosso sistema público de educação jamais dantes visto. O atual governo mirou especialmente nas Universidades Públicas e partiu para o ataque através da asfixia orçamentária, seguido de acusações verbais do Ministro da Educação à comunidade universitária, afirmando não serem elas “produtivas”, promoverem balburdias, abrigando nudes.
Em sessão no Senado, o Ministro Weintraub, mais uma vez com sua verve raivosa, criticou os últimos investimentos nas universidades: “a gente quis pular etapas e colocou muito recurso no telhado”, referindo-se aos investimentos no ensino superior em comparação com o básico.
A metáfora do telhado é inadequada. Não é possível uma edificação ficar sem a sua camada superior (o tal telhado), sob o risco de desmoronar por falta de proteção. Para além de proteção, o telhado referido é muito mais do que uma simples cobertura, e sim uma grande laje, cujo propósito a população pobre sabe muito bem qual é. Quando se bate uma laje em uma casa popular, o que se quer é ampliar o espaço. A sabedoria daqueles que são historicamente desprotegidos e que sustentam a sociedade brasileira com seu árduo trabalho, indica que, com isso, amplia-se a casa, abriga-se mais gente, filhos, parentes. Enfim, essa laje, o telhado do Ministro, não é uma mera cobertura, é de fato o que possibilita à população mais pobre uma verdadeira base de lançamento para o futuro. Para o indivíduo, ao lhe dar possibilidade de ampliação de sua formação – crítica sim, senhor Ministro, toda formação precisa ser critica. Para o coletivo (toda a sociedade), esses telhados/lajes que são as universidades públicas, se constituem como bases de lançamento para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Ou seja, corresponde a muito mais do que o simples cobrir aquilo que está embaixo. Significa sobretudo a possibilidade de um país se desenvolver com soberania, autonomia e, para não perder o costume, com democracia e justiça social.
Assim, insistimos serem inaceitáveis essas ameças visando aniquilar o enorme patrimônio da sociedade brasileira que são as suas Universidades/Institutos Federais de Educação. Não podemos permitir que o acesso ao ensino superior seja restrito a uma parcela privilegiada da população brasileira, como era até bem pouco tempo.
A lei do PNE precisa ser respeitada e prevê que até 2024, 33% da população entre 18 e 24 anos esteja na universidade (no mínimo 40% no setor público). Estamos longe disso, com apenas cerca de 18%. Para tal, precisamos de recursos, cotas, políticas de assistência estudantil e forte investimento em pesquisa.
A defesa das nossas instituições de ensino e pesquisa deve superar as divergências partidárias, pois defender a universidade pública brasileira é tarefa urgente de toda a sociedade.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Universidade brasileira: patrimônio do conhecimento

Universidade brasileira é patrimônio de conhecimento”, afirma Benedito Guimarães Aguiar Neto, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub) e reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP)
Investir em educação é estratégia fundamental para o desenvolvimento de qualquer nação, pois esta cumpre o papel essencial, no contexto social e econômico do país, de contribuir para a geração do conhecimento ou a adequada apropriação do existente, abrindo novos horizontes de oportunidades e novas perspectivas de discernimento do indivíduo para o pleno exercício da cidadania.
Ao possibilitar a formação de pessoas mais qualificadas profissionalmente, seja repercutindo quanto ao aumento da eficiência dos processos produtivos ou possibilitando uma melhor compreensão individual acerca de conflitos e tensões da realidade social, a educação amplia a margem de participação do cidadão na sociedade, movimenta a economia e dignifica a própria sociedade, criando condições para o exercício da liberdade de empreender e de tomar decisões.
Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/22-corte-de-verbas-na-educacao-compromete-soberania-nacional/

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Revista PG&C publica nova edição



Prezados(as),
 
O primeiro número de 2019 da revista Perspectivas em Gestão & Conhecimento (PG&C) está no ar

Acesse os itens de interesse.
 
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Perspectivas em Gestão & Conhecimento
v. 9, n. 1 (2019)

Sumário
 
Editorial | Editor's Letters
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PRÁTICAS DE AVALIAÇÃO POR PARES: ALGUMAS REFLEXÕES (1-3)
   Jorge de Oliveira Gomes,    Luciana Ferreira da Costa

 Artigos de Revisão | Review Articles
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TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL: UMA ABORDAGEM TEÓRICA (4-23)
    Vinicius Ferreira Baptista
 
Relatos de Pesquisa | Research Articles
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AVALIAÇÃO DA MATURIDADE DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (24-41)
    Vanessa dos Santos,    Rogério Cid Bastos

MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO COM FOCO EM ECOINOVAÇÃO: UM
ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA AGROINDUSTRIAL (42-61)
   Marcelo Seido Nagano,    Antonio Iacono,    Ligia Maria Moura Madeira,    Aldo
   Roberto Ometto

ECONOMIA DA INOVAÇÃO NO CONTEXTO DA CIDADE DIGITAL ESTRATÉGICA: CASO DO
MUNICÍPIO DE CURITIBA (62-81)
    Djalma Sá,    Denis Alcides Rezende

O USO DE ONTOLOGIAS NO REGISTRO DE LIÇÕES APRENDIDAS EM PROJETOS
GERENCIADOS COM SCRUM (82-100)
    Mauricio Augusto Cabral Ramos Júnior,    Regina de Barros Cianconi

A INFLUÊNCIA DO COMPORTAMENTO IMPULSIVO E PROCRASTINADOR NA TOMADA DE
DECISÃO FINANCEIRA SOB A ÓTICA DA DESVALORIZAÇÃO POR ATRASO (101-121)
    André Tonin Ferrari,    Alexandre Cappellozza,    Elmo Tambosi Filho,    Joelson Oliveira Sampaio

REDES INTERORGANIZACIONAIS E A CRIAÇÃO DE CONHECIMENTO: BUSCA SISTEMÁTICA (122-137)
    Karoline Brasil de Oliveira Ezequiel,    Cristina Keiko Yamaguchi,    Melissa
    Watanabe

GESTÃO DO CONHECIMENTO NA ÁREA DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES: UMA REVISÃO
NO CONTEXTO BRASILEIRO (138-153)
    Fernanda da Silva Momo,    Claudia Melati,    Raquel Janissek-Muniz,    Ariel Behr

A GESTÃO DO CONHECIMENTO NA INDÚSTRIA DA MODA: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO DA
INTER-RELAÇÃO DO MÉTODO PROJETUAL DE DESIGN COM O CICLO DE MEYER E ZACK (154-168)
   Cibelle Akemi Vallim Fernandes,    Rejane Sartori,    Nelson Tenório

DA LIBERDADE À “GAIOLA DE CRISTAL”: SOBRE O PRODUTIVISMO ACADÊMICO NA
PÓS-GRADUAÇÃO (169-197)
   Juliana de Souza Andrade,    Fernanda Roda Cassundé,    Milka Alves Correira Barbosa

O CONHECIMENTO SOBRE A PLATAFORMA LATTES  (CNPq) NUMA PERSPECTIVA
SISTÊMICA: FUNDAMENTOS E LACUNAS PARA ESTUDOS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (198-211)
   Letícia Silvana dos Santos Estácio,    William Barbosa Vianna,    Vinicius Medina Kern

ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS PARA A GERAÇÃO DE INDICADORES CIENTÍFICOS NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO (212-231)
    Ana Paula Lopes da Silva,    Francisco José Aragão Pedroza Cunha,    Natanael Vitor Sobral

FORMAÇÃO PARA O EMPREENDEDORISMO NOS CURSOS DE BACHARELADO E LICENCIATURA
EM BIBLIOTECONOMIA, CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO NO BRASIL (232-247)
    Daniela Spudeit,    Mariângela Poleza,    Crichyna da Silva Madalena,    Nathália Romeiro

COMPORTAMENTO INFORMACIONAL E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DE
COMPETÊNCIAS EM INFORMAÇÃO: UMA ANÁLISE DOS ESTUDANTES EM ARQUIVOLOGIA DA UFPB (248-265)
Ana Clara Palitot Dias de Lacerda,    Rosilene Agapito da Silva Llarena
 
Memória de Evento Científico-Profissional
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PRÁTICAS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO EM PROGRAMAS AMBIENTAIS DO RITO DO
LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE COMPLEXOS EÓLICOS (266-284)
    Marcus Phoebe Farias Hinnig,    Patrícia de Sá Freire,    Eduardo Juan Soriano-Sierra

INOVAÇÃO SOCIAL E GESTÃO DO CONHECIMENTO ESTRATÉGICO: ESTUDO DE CASO NA
CADEIA DE SUPRIMENTOS REVERSA (285-302)
    Jurema Suely de Araújo Nery Ribeiro,    Fabrício Ziviani,    Fábio Corrêa,    Jorge Tadeu Ramos Neves

Expediente | About this Issue
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EXPEDIENTE DO VOLUME 9, NÚMERO 1 DE 2019 DA PG&C (303-314)
    Luciana Ferreira da Costa

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Museu Guggenheim de Nova York disponibiliza catálogos e livros de arte para download

Obtive esta excelente notícia por meio da Revista Bula e não tinha como não compartilhar aqui no Blog Informação em cena.
O museu Solomon R. Guggenheim, de Nova York, está dando um grande passo para o compartilhamento e preservação da arte moderna. 

Durante anos, a instituição digitalizou todos os seus catálogos e livros de arte, que estão sendo disponibilizados gratuitamente na internet. A expectativa é de que todo o acervo seja disponibilizado até 2020.
No site do Solomon R. Guggenheim é possível encontrar livros de difícil acesso, que abordam a obra de artistas célebres, que revolucionaram a história da arte, como Van Gogh, Picasso, Kandinsky, Pollock, Kenneth Noland e Roy Lichtenstein. Alguns exemplos de publicações importantes digitalizadas são os livros: “Expressionismo, Uma Intuição Alemã 1905-1920” (em tradução livre), e “De Van Gogh a Picasso, de Kandinsky a Pollock”, que contêm a coleção dos artistas disponível no museu.
Para realizar o download é preciso selecionar a publicação e, em “Download Options”, localizado do lado direito da tela, escolher a opção de formato desejada. Os títulos estão disponíveis em PDF e ePub. Também há opções de mudança de resolução e a possibilidade de procurar títulos por autor, gênero artístico e nacionalidades. A maioria das obras está em inglês, mas há também alguns exemplares em Italiano.
O Museu Solomon R. Guggenheim é mantido pela Fundação Solomon R. Guggenheim, que levam o nome do seu fundador. A construção do museu se iniciou em 1956, sendo concluída três anos mais tarde. Ele é considerado o último grande projeto do arquiteto Frank Lloyd Wright. Desde a sua origem, o objetivo da instituição é levar a arte para o maior número de pessoas possível.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A universidade é uma Fábrica de conhecimento

Interessante a matéria intitulada "Fábrica de conhecimento", pois a sociedade precisa reconhecer o valor e o trabalho desenvolvido nas universidades públicas do país. A visão limitada da sociedade faz com que o poder pública venham dando às universidades um papel que não condiz com a sua importância para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil. Para além disso, cabe o conhecimento de que a atuação do professor engloba inúmeras atividades, que não só o ensino em sala de aula.

Recomendo a leitura:

O que são, como funcionam e para que servem as universidades públicas de pesquisa
“O senhor dá aula aqui?”, é uma pergunta que o cientista Walter Colli ouve com frequência dos taxistas que o trazem para a Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã. Professor titular por três décadas, aposentado desde 2009, ele ainda comparece regularmente à sua sala no Instituto de Química, onde atua como colaborador sênior da instituição. “Não só dou aula”, responde o professor, de 79 anos, com uma pitada de indignação. “Isso aqui é uma universidade de pesquisa, não é uma escola.”
A diferença é óbvia para ele e tantos outros que trabalham com pesquisa e ensino superior no País, mas não para grande parte da sociedade, como mostram os resultados da última pesquisa sobre Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil, realizada em 2015 pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). De um total de quase 2 mil pessoas entrevistadas, apenas 13% souberam citar o nome de pelo menos uma instituição de pesquisa nacional. E dentre esses poucos, apenas uma minoria citou o nome de alguma universidade. As instituições mais lembradas foram a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com 19% das citações, seguida da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Butantan. A USP aparece em quarto lugar, com 10%.
Veja o texto na íntegra: Jornal da USP

segunda-feira, 1 de abril de 2019

A Biblioteca Brasiliana da USP perde Cristina Antunes

Curadora da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP desde 2013, Cristina Antunes morreu no dia 26 de março, aos 68 anos. Durante 34 anos, metade de sua vida, Maria Cristina Carvalho Antunes administrou a coleção do bibliófilo José Mindlin (1914-2010), antes da transferência dessa coleção para a Cidade Universitária, e depois continuou seu trabalho na biblioteca, sendo, provavelmente, quem mais conhecia aquele acervo. Ela dizia que Mindlin “queria inocular o vírus da leitura em qualquer pessoa que se aproximasse dele” e que a maior vontade do bibliófilo era “deixar algo para futuras gerações”.
A coleção brasiliana de Mindlin e de sua esposa Guita, reunida ao longo de mais de 80 anos, apresenta 32,2 mil títulos, que correspondem a 60 mil volumes – dos quais cerca de 3 mil títulos estão disponíveis para livre acesso e download.
No livro Memórias de uma Guardadora de Livros, que publicou em 2004 pela Imprensa Oficial e Escritório do Livro, Cristina passeia pelas prateleiras da Biblioteca Mindlin, contando histórias sobre esta que é considerada a mais importante coleção do gênero formada por particulares.
No livro, em entrevista a Cleber Teixeira e Dorothée de Bruchard, Cristina fala de sua trajetória, do seu cotidiano em uma biblioteca que acolhe pesquisadores do mundo inteiro e da qual era conservadora, além de refletir sobre seu ofício e aprendizados ao lado de Mindlin. Ela conta como seu trabalho estava dividido em dois momentos distintos: o primeiro, quando trabalhou durante anos sozinha na biblioteca, “o momento de maior aprendizagem”, e o segundo, quando a biblioteca foi ficando conhecida e cada vez mais procurada por pesquisadores e especialistas, trazendo “uma enorme possibilidade de troca”. Conta também que “a dinâmica da biblioteca se confunde com a dinâmica da família, se confunde com a dinâmica da casa”.

Para Cristina, a Biblioteca Mindlin tem um caráter bem diferente, um caráter público, de centro provedor de informação. “Talvez esse seja o seu grande diferencial. Conhecemos muitos colecionadores que formaram bibliotecas particulares fantásticas, mas liberar o seu acervo para ser consultado, querer que o livro seja lido, estudado, conhecido — acho que esse é o ponto que distingue a biblioteca onde eu trabalho”, escreveu, ressaltando ainda que a postura de José Mindlin – e também a dela mesma – sempre foi de que “conhecimento é para ser partilhado”.
Memórias de uma Guardadora de Livros foi lançado em uma caixa ao lado de Memórias Esparsas de uma Biblioteca, de José Mindlin, comemorando na época os mais de 20 anos de parceria entre ambos. Ainda lançou, pelo selo BBM, Rubens Borba de Moraes: Anotações de um Bibliófilo. Com mais de 1.700 títulos, a biblioteca de Rubens Borba de Moraes – amigo e interlocutor de Mindlin – faz parte atualmente do acervo da BBM.
Graduada em Educação, com especialização em Ciência da Informação pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, e em Paleografia pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, Cristina também trabalhava como paleógrafa e tradutora. Não tinha formação em Biblioteconomia, e afirmava que era bibliotecária de paixão, de cuidado com o livro, dividindo com Mindlin o amor aos livros.
Apaixonada pelos livros
“Encontrei a Cristina Antunes pela primeira vez quando estive pesquisando na casa do José Mindlin. Mas a conheci, de fato, há três anos, quando trabalhamos juntos, já na Biblioteca Brasiliana Mindlin”, conta o diretor da BBM, professor Carlos Alberto Zeron. “Cristina era uma pessoa apaixonada pelos livros, muito especialmente pelos livros guardados na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, dos quais conhecia cada detalhe singular:  histórias de como chegaram ao acervo, cor, textura e, claro, seu conteúdo. Pois Mindlin só trabalhava com quem gostasse de livros, com quem os lesse. Por ter convivido tão amorosamente com os livros, quase até o ciúme, esse conhecimento conferia-lhe muita competência, de modo que todos nós, colegas ou pesquisadores, a consultávamos sempre e sobre tudo o que concernia ao acervo.” Para Zeron, a morte da Cristina significa uma perda muito grande, “não apenas porque era uma pessoa querida, mas também porque tinha uma experiência imensa. Ela sempre foi muito generosa em partilhá-la conosco. Precisaremos de tempo tanto para assimilar essa perda como para tentar ombrear o saber prático que ela acumulou sobre o acervo da Brasiliana”.
O professor Plinio Martins Filho, editor das Publicações BBM – o ramo editorial da Biblioteca Brasiliana -, conhecia Cristina desde a década de 80, quando ela já trabalhava com Mindlin. “Ela era a memória da biblioteca, acompanhou a formação da biblioteca na casa de Mindlin e a sua transferência para a USP”, relata, acrescentando que ela viveu em função da biblioteca quase toda a sua vida profissional. Segundo o professor, era uma parceira na biblioteca, muito competente e solícita em tudo que se precisasse em relação ao acervo. “É uma falta muito grande para o livro.”
Segundo a pesquisadora Sônia van Dijck, doutora em Letras pela USP, que publicou uma resenha de Memórias de uma Guardadora de Livros no Correio das Artes, suplemento literário do jornal paraibano A União, “Cristina viajou, conheceu bibliotecas, estudiosos, escritores; informou-se acerca das novas tecnologias; buscou sempre melhor servir à biblioteca”. “Sua comunhão com a biblioteca é notável. Sei que nós outros pesquisadores dela muito pedimos; mas sei que sua boa vontade e seu entusiasmo por nossas pesquisas são infalíveis. Se Cristina pôde fazer amizades que lhe são queridas, os pesquisadores têm oportunidade de conhecer uma profissional que sabe o caminho das pedras e nos trata com respeito”, escreveu.