sábado, 16 de abril de 2011

Pesquisa - Cultura no Brasil

Compartilhos neste espaço uma pesquisa sobre a Cutura no Brasil idealizada pela Federação do Comércio do Rio de Janeiro (FECOMÉRCIO/RJ).

Vale a pena consultar a pesquisa em PDF da Fecomércio (texto completo):
http://www.fecomercio-rj.org.br/publique/media/Pesquisa%20Cultura.pdf


Nota: quadro Abaporu de Tarsila do Amaral

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Distrações da memória

A capacidade de realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo cai à medida que o homem envelhece.

Uma nova pesquisa aponta que o motivo pelo qual pessoas mais velhas têm mais dificuldade em alternar tarefas está nas redes neurais. Lidar com múltiplas tarefas envolve a memória de curta duração, que define a capacidade de manter e manipular uma determinada informação em um período de tempo. Essa memória de trabalho é a base de todas as operações mentais, de decorar um número de telefone a digitá-lo em um aparelho, de manter o ritmo de uma conversa a conduzir funções complexas como raciocinar ou aprender.

"Os resultados do estudo sugerem que o impacto negativo das múltiplas tarefas na memória de trabalho não é necessariamente um problema com a memória, mas deriva de uma interação entre atenção e memória", disse Adam Gazzaley, professor da Universidade da Califórnia em San Francisco, um dos autores do estudo que será publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

De acordo com o estudo, a dificuldade em realizar mais de uma tarefa em um mesmo período de tempo está no momento de alternar entre uma atividade e outra. O problema fundamental não são as próprias tarefas ou as interrupções, mas as distrações. A pesquisa indica que a capacidade do cérebro em ignorar informações irrelevantes cai com a idade e que isso impacta na memória de trabalho.

O estudo reforça que as "coisas da idade", como costumam ser chamados episódios comuns de distração e esquecimento, têm um impacto maior em indivíduos mais velhos.

Os pesquisadores compararam a memória funcional de jovens saudáveis (com idade média de 24,5 anos) e de idosos também saudáveis (com média de 69,1 anos) em testes envolvendo diversas tarefas simultâneras.

Por meio de imagens de ressonância magnética, analisaram o fluxo sanguíneo nos cérebros dos participantes de modo a tentar identificar as atividades de circuitos e redes neurais.

Os participantes tinham que observar uma determinada cena e fixá-la por 14,4 segundos. Durante o período, entrava uma interrupção, na forma da imagem de um rosto, e os voluntários tinham que determinar o sexo e a idade estimada da pessoa. Em seguida, tinham que lembrar a cena original.

Os mais velhos mostraram maior dificuldade em fixar a imagem original. Os exames de ressonância mostraram que quando os participantes eram interrompidos, o processo de fixação da memória dava lugar ao próprio processamento da interrupção.

Os mais jovens conseguiam restabelecer a conexão com a rede da memória após a interrupção, desligando-se da imagem que apareceu no meio do teste. Já os mais velhos, na média, tiveram dificuldade tanto para se desligar da interrupção como para restabelecer a rede neural associada com a memória da cena original.

"O impacto das distrações e das interrupções revela a fragilidade da memória de trabalho. Esse é um fato importante a se considerar, uma vez que vivemos em um meio em que cada vez há mais interferências e exigências, como o aumento na quantidade de dispositivos que transportam informação", disse Gazzaley.

O artigo A deficit in switching between functional brain networks underlies the impact of multitasking on working memory in older adults (doi/10.1073/pnas.1015297108), de Adam Gazzaley e outros, pode ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1015297108.
(Agência Fapesp)

Fonte: Jornal da Ciência

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Cisne Negro por Maria das Graças Targino

Caros seguidores do Blog Informação em cena

Compartilho com vocês o belíssimo texto da colega Graça Targino (Doutora em Ciência da Informação e jornalista) sobre o filme Cisne Negro publicado em sua coluna no site http://www.ofaj.com.br.

Recomendo o filme e, claro, a leitura deste texto que segue em sequência.


Cisne Negro conta a história de Nina, extraordinária bailarina de importante companhia de balé de Nova Iorque, completamente absorvida e obsessiva em seu desejo de conquistar o papel central, o que lhe faz sentir deslocar-se frente à própria vida. Dito assim, de forma sucinta e sem rodeios, ninguém se dá conta do polêmico que resultou este filme dirigido por Darren Aronofsky (o mesmo de O lutador e Requiém para um sonho) e roteiro de Mark Heyman e Andres Heinz. No elenco, além de Natalie Portman (Nina), estão Mila Kunis (como Lily), Vincent Cassel (como o diretor artístico Thomas Leroy), Ksenia Solo (como Veronica), Winona Ryder (como Beth MacIntyre), entre outros.

Cisne Negro não deixa ninguém imune. É uma produção da qual gostamos muito ou que detestamos muito. Em qualquer das circunstâncias, saímos da sala de projeção carregando o peso do mundo em nossas costas, o que justifica sua classificação no gênero suspense ou, para alguns, drama. É um filme denso em quase a totalidade dos 103 minutos de projeção. Denso no sentido literal do termo: amores patológicos, desamores, desequilíbrios emocionais, competitividade exorbitante no lugar de trabalho, dores silenciadas no mundo das drogas, dores gritadas sob a forma de tentativas de suicídio, troca de favores no mundo das artes (aliás, como em qualquer outro), o amargo sentimento que inunda a alma de qualquer um quando o afeto desaparece.

Cisne Negro comporta uma quase infinita possibilidade de interpretações. Em rodas de discussão que se formam nos pátios das universidades ou nos terraços dos bares, em blogs ou em sites especializados em cinema, não há consenso em torno da qualidade do filme e / ou da essência dos personagens. Tampouco há unanimidade sobre a atuação de Natalie Portman, agraciada com o Oscar de Melhor Atriz 2011. Há quem assegure que sua atuação é demasiada, excessiva, exagerada. Há quem a perceba maravilhosamente realista, sobretudo, nas duras e cruéis cenas de automutilação e de tórrida masturbação.

Cisne Negro, até hoje, depois de meses e meses de lançamento – estreia antecipada em setembro de 2010, quando do 67º Festival de Cinema de Veneza; estreia oficial nos Estados Unidos (Black Swan), em dezembro do mesmo ano; no Brasil, fevereiro de 2011 – desperta opiniões contraditórias. Mas, há pontos unânimes: a entrevisão da beleza fantástica do balé como arte, mas, sobretudo, a beleza e a fealdade que cada ser humano carrega consigo. Temos dentro de nós um cisne branco e um cisne negro. Branco, na acepção de translúcido, cândido, sem mácula, ingênuo, imaculado ou isento das sujeiras da vida. Negro como triste, lúgubre, funesto, melancólico, maldito e sinistro.

Cisne Negro relembra, assim, o pensamento de um escritor e jornalista colombiano Héctor Abad Faciolince que sintetiza este sincretismo do homem, quando diz que somos, irremediavelmente, semelhante a um cubo posto sobre uma mesa. Há uma face que todos podem enxergar: a que está em cima. Há duas outras faces – em cada um dos lados – que alguns conseguem visualizar e outros, não, embora, mediante esforço, cada um possa também vislumbrar. Há uma face que somente nós mesmos enxergamos – a que está à frente de nossos olhos. Há outra face que só os demais vêem – a que está frente a eles. Há uma face oculta a todos, incluindo a nós mesmos – a face na qual o cubo se apoia.

Cisne Negro, por tudo isto, no mínimo, tem o grande mérito de nos fazer pensar sobre o que, de fato, somos. Por exemplo, quando um ente querido se vai, e nos resta arrumar ou revisar seus pertences, à medida que descobrimos sua intimidade, desnudamos facetas até então visíveis somente para ele. São aspectos particulares que protegemos, conscientemente ou não, contra o olhar dos demais. Refiro-me à doce ou à agre intimidade, ao nosso cisne branco e ao nosso cisne negro, nem sempre embalados pela excelente trilha sonora sob encargo de Clint Mansell..

Evento - Diálogos: Bibliotecas Públicas em Perspectivas

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Novos coordenadores de áreas da CAPES

Foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 7, a Portaria nº 47, que designa os novos coordenadores de área da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Foram 34 professores selecionados, que irão exercer a função de coordenador de área durante o triênio 2011-2013.

Estes professores foram designados a partir de listas tríplices aprovadas pelo Conselho Superior da Capes, em sua 53ª reunião, realizada no dia 15 de março de 2011.As outras áreas encontram-se atualmente em processo, por meio dos comitês de busca. Tão logo esteja concluída esta etapa se passará a próxima, que é a constituição do Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES).

Também está prevista, ao término da etapa de designação, uma reunião na qual serão convidados todos os coordenadores de ambos os triênios. Na oportunidade, serão apresentados e discutidos o panorama das áreas e as principais ações e orientações de todos os processos e procedimentos relativos à Avaliação.

sábado, 2 de abril de 2011

Livroclips

Livroclips consistem em um trailers, como os de filmes, que trazem resumos de obras, com foco em despertar o interesse dos alunos para a leitura dos clássicos.

Madalena de Fátima Yamamoto, 47 anos, bibliotecária do Colégio Augusto Laranja, localizado na Zona Sul de São Paulo, jura que não estranhou quando viu sob sua gestão a nova biblioteca digital da escola, recheada de livroclips, um instrumento interativo criado para que crianças e jovens assistam aos livros no computador.

De fato, assistir não é o verbo mais adequado para o ato da leitura. Mas desde fevereiro, alunos de cerca de 300 escolas pertencentes à rede Programa Escolas Associadas, da Unesco no Brasil, já assistem aos livros clássicos.

Ainda soa estranho? Pois o livroclip consiste em um trailer, como os de filmes, que traz um resumo da obra, com foco em despertar o interesse dos alunos para a leitura dos livros - de papel ou digital, não importa.
"Muita gente comenta que vamos acabar perdendo o emprego para as novidades tecnológicas, mas eu não acredito que o livro vá acabar. Eu tenho de estar atualizada, não posso ver o livroclip como um concorrente. Ele é um suporte, um incentivo à leitura", garante a bibliotecária.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Instituto Canal do Livro - associação sem fins lucrativos que tem o objetivo de capacitar professores em letramento digital -, em 2005, como um recurso educacional e acabou sendo premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
Desde 2008 faz parte do Banco Internacional de Objetos Educacionais do Ministério da Educação. Agora, o livroclip está ganhando status de instrumento de capacitação de professores no uso de livros digitais na sala de aula.

"Ler um livro do Graciliano Ramos ou de José Alencar não é fácil para um jovem de hoje", afirma Madalena. Se os alunos de "ontem" achavam mais fácil, a bibliotecária garante que não. "A diferença é que os jovens de agora têm mais liberdade de expressão e reclamam", explica.

Logo, para que eles leiam os clássicos, terão de ser convencidos. E para isto os colégios estão ocupando o espaço favorito dos estudantes, os computadores. "É como uma propaganda de um produto", avalia.
"Temos de falar a linguagem deles, mostrar que os livros têm enredos interessantes e deixá-los curiosos para buscar o papel depois."
Nova biblioteca

A biblioteca digital do Colégio Augusto Laranja foi aberta há cerca de um mês, com 100 títulos voltados para alunos do fundamental II (6º a 9º ano) e ensino médio. A ideia é que os professores atuem como mediadores na leitura.

"Estimular a leitura não é só oferecer livros. Muitos acabam estocados em casa. Quem tem sorte de ter pais leitores acaba tendo essa mediação em casa. Mas os demais contam com a escola para fazer este papel", diz Luiz Chinan, presidente do Instituto Canal do Livro.

Na biblioteca da escola, os professores podem se integrar a redes sociais como Twitter e Facebook para sugerir novas leituras aos alunos. O momento agora é de testar atividades de aulas e preparar a plataforma, para que, no futuro, sejam criados aplicativos de tablets e aparelhos como iPhone ou seus similares.

"A ideia é criar aplicativos com a cara da escola, que atue em um ambiente seguro para o aluno", afirma Chinan. Os alunos podem, por exemplo assistir aos livroclips das obras que serão pedidas no vestibular.

O Instituto Canal do Livro também desenvolve materiais como livros games e mesmo jogos como o Enem War - que, apesar do trocadilho, foi desenvolvido antes dos problemas do Exame Nacional do Ensino Médio, que se arrastam desde o ano passado.

Plataforma de conhecimento


O Centro Edelstein de Ciências Humanas, no Rio de Janeiro, unificou suas quatro bibliotecas virtuais em um único portal na internet.

De acordo com o diretor do Centro Edelstein, Bernardo Sorj, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o objetivo da iniciativa foi facilitar o acesso gratuito de pesquisadores ao acervo de mais de 40 mil textos que o Centro desenvolveu nos últimos anos em parceria com outras instituições com base na constatação de que as publicações científicas brasileiras e latino-americanas na área de ciências humanas não atingem o público do exterior.

"Fala-se muito no Brasil sobre globalização, sobre internacionalização da ciência e impactos intelectuais além das fronteiras, mas o fato é que no mundo científico se lê pouco português. Inclusive, fizemos uma pesquisa nos Estados Unidos que indicou que muitos latino-americanistas entendem espanhol, mas não compreendem português", disse Sorj, à Agência Fapesp.

Para possibilitar o acesso da comunidade internacional às revistas em ciências sociais da América Latina, o Centro Edelstein desenvolveu há três anos, em parceria com a Scientific Eletronic Library Online (SciELO) - um programa da Fapesp conduzido em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) -, uma biblioteca virtual de artigos de revistas latino-americanas traduzidos para o inglês.

Denominada SciELO Social Sciences English Edition, o serviço conta com mais de 600 artigos publicados em 30 revistas científicas, sendo 15 brasileiras e as outras 15 latino-americanas. "São os próprios editores das revistas que indicam os artigos para publicação na biblioteca. A única condição para publicarmos é que os artigos sejam de autores brasileiros", disse Sorj.

Em seguida à base de artigos, o Centro lançou, em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, a biblioteca virtual Plataforma Democrática, cujo acervo é composto por artigos e trabalhos acadêmicos sobre democracia na América Latina. "Ela já reúne quase 20 mil textos e cem vídeos e está em constante expansão", disse.

No ano passado, o Centro Edelstein iniciou o desenvolvimento de uma terceira biblioteca virtual, composta por livros de autores brasileiros ou residentes no Brasil que estão fora de circulação. Os direitos autorais dos livros que compõem a biblioteca retornaram aos autores ou estão nas mãos de editoras, que autorizaram o Centro a publicá-los na internet.

"Reeditamos essas obras na biblioteca virtual, que soma 110 títulos de autores brasileiros em todas as áreas das ciências sociais", disse Sorj.

A quarta biblioteca criada pelo Centro disponibiliza mais de 20 mil publicações, em diversas línguas, sobre sociedade da informação. E, de acordo com o diretor, foi criada para suprir a insuficiência de bibliografia sobre o tema.

Acesso internacional - As bibliotecas virtuais do Centro Edelstein registram de seis mil a 10 mil acessos de pesquisadores localizados por mês, do Brasil e de diversos outros países. Em média, os acessos duram entre 6 e 10 minutos, que é muito superior ao tempo de acesso registrado pelos sites convencionais, de acordo com Sorj.

"Nossos acessos são de qualidade e realizados a partir de países como China, Japão, Rússia e Estados Unidos, entre diversos outros. Dificilmente as publicações brasileiras em meio impresso chegariam a esses países", apontou.

Segundo Bernardo Sorj, as publicações científicas impressas ainda gozam de um prestígio no mundo acadêmico que não condiz com a realidade, em que a tendência é publicar cada vez mais eletronicamente, na internet.

"Acreditamos que o meio virtual seja o mais adequado, o mais econômico, o mais democrático e o que atinge melhor o objetivo de uma publicação científica, que é o de disseminar a produção do conhecimento entre os cientistas da forma mais ampla possivel", afirmou.

O professor Sorj conta que, ao criar as bibliotecas virtuais, o Centro Edelstein pretende demonstrar a viabilidade e relevância do projeto e estimular outras instituições a lançar iniciativas semelhantes.

As quatro bibliotecas virtuais do Centro Edelstein podem ser acessadas em: http://www.bvce.org.br

Fonte: Jornal da Ciência