quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Museu da Vida da Fiocruz poderá ter monitoria para surdos

Primeira visita monitorada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi realizada nesta quarta-feira (26)
Um grupo de estudantes do oitavo e do nono anos do ensino fundamental do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, participou hoje (26) da primeira visita monitorada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) ao Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro.
Os quatro monitores são estudantes de pedagogia também do Ines e participaram do projeto Quebrando Barreiras Culturais: A Ciência e o Surdo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que desenvolve sinais científicos em Libras, além de treinar surdos para trabalhar em museus e espaços de ciências.
A coordenadora do Serviço de Educação do Museu da Vida, Hilda Gomes, explica que o planejamento e o treinamento dos monitores começou há seis meses e a visita de hoje foi um teste para o projeto, que pode ser implantado no ano que vem.
“Escolhemos três atividades, aproveitando o conhecimento que eles tem em biologia e inserimos a história da Fiocruz. Elaboramos três roteiros, onde eles com a fluência em Libras receberam um público surdo para fazer a visita ao museu. Convidamos alunos do Ines do oitavo e nono anos do ensino fundamental. Estamos filmando e fotografando porque precisamos avaliar. Em duas semanas vamos avaliar para ver qual será a continuidade desse projeto para 2015”.
Colaboradora do projeto, a professora aposentada do Inês, Djane Cavalcanti, destaca que a iniciativa de monitoria para surdos é inédita no Brasil. “Muitos surdos que não vão aos museus, principalmente os de ciência, porque precisam de interpretação. Ao museu de arte, o surdo pode ir para visualizar as obras, mas o museu de ciência tem que ter uma comunicação entre o público e o mediador”.
Porém, Djane ressalta que o glossário científico desenvolvido pela UFRJ ainda não está amplamente difundido nas escolas para surdos e que tanto professores quanto estudantes precisam dessa atualização, já que “a todo momento” são criados novos sinais em Libras.

(Akemi Nitahara / Agência Brasil)
http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2014-11/museu-da-vida-da-fiocruz-podera-ter-monitoria-para-surdos

sábado, 1 de novembro de 2014

Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação é lançado pelo IBICT


Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação é lançado pelo IBICT


O Tesauro Brasileiro de Ciência da Informação, uma publicação eletrônica do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), foi lançado nessa quarta-feira (29/10/2014), durante o XV Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (Enancib 2014). De autoria da pesquisadora e professora do IBICT, Lena Vania Ribeiro Pinheiro, a obra conta com 384 páginas e foi lançada em versão online, disponível para consulta ou download no portal do IBICT (www.ibict.br).
Segundo a pesquisadora Lena Vania, o tesauro é um instrumento importante não somente para o IBICT, mas também para professores, pesquisadores, profissionais, instituições de informação em geral e alunos nas atividades de indexação e recuperação de informações da área, em periódicos, bases de dados, repositórios, catálogos, bibliotecas digitais, isto é, em serviços e produtos de informação. “Na vastidão de informações, sobretudo no ciberespaço, uma ferramenta desta natureza é fundamental para recuperar e acessar informações com precisão”, acrescentou.
A professora do IBICT explicou que a concepção do Tesauro teve início no seu doutorado, iniciado em 1991, quando, então, foi definida a estrutura, a espinha dorsal da publicação. “A etapa seguinte, a classificação de Ciência da Informação, foi desenvolvida durante a minha participação em uma pesquisa internacional coordenada pelo Professor Chaim Zins, de Israel, da qual participaram quase cinquenta pesquisadores de inúmeros países, inclusive três do Brasil”, salientou. Lena Vânia conta que a elaboração do Tesauro durou cinco anos, em projeto do IBICT financiado pela FINEP, e teve a colaboração imprescindível de Helena Dodd Ferrez, na qualidade de bolsista do IBICT. “Na verdade, posso afirmar, o Tesauro é fruto de toda uma vida”, frisou ela.
De acordo com Emir Suaiden, diretor da Biblioteca Central da Universidade de Brasília (UnB), a recuperação da informação foi e continua sendo questão central na Ciência da Informação, desde o seu surgimento como campo científico até hoje. Segundo ele, com os avanços da ciência e tecnologia e a era da sociedade da informação, a Internet e a proliferação vertiginosa de informações, os tesauros são instrumentos essenciais na busca e acesso à informação. A consistência, precisão e relevância da informação constituem qualidades básicas nesse processo e dependem principalmente de tesauros.
Entre os poucos tesauros de Ciência da Informação existentes no mundo, Emir Suaiden  cita o dos Estados Unidos, da Association for Information Science and Technology - ASIS&T. “O IBICT devia essa obra àqueles que lidam com as questões de linguagem documentária, uma vez que a iniciativa da construção de um tesauro em Ciência da Informação, de 1989, não chegou a ser publicada, ficou restrita ao uso interno e não teve continuidade”, lembrou.

Fonte: Núcleo de Comunicação Social do IBICT

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

SBPC divulga tema e datas da próxima Reunião Anual


De 12 a 18 de julho de 2015 acontece o maior evento de ciência no campus da UFSCar, em São Carlos, SP

Luz, Ciência e Ação”. É este o tema central definido para a 67ª. Reunião Anual que acontecerá entre os dias 12 e 18 de julho de 2015 no campus da Universidade Federal de São Carlos, em São Carlos, SP. O tema escolhido é alusivo ao Ano Internacional da Luz, que em 2015 será celebrado em diversos países, por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em reconhecimento à importância das tecnologias associadas à luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios globais nos campos da energia, educação, agricultura e saúde.
A alusão às tecnologias associadas à luz são, de acordo com a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader, bastante condizentes com o ambiente de alta tecnologia propiciado pelas instituições de pesquisa, desenvolvimento e ensino superior instaladas em São Carlos. “A cidade abriga duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), duas universidades públicas (a UFSCar e campus da USP), e dois parques tecnológicos, que certamente englobam diversas empresas de tecnologia de ponta. Existe ali uma grande concentração do que chamamos de “hard sciences”, vocação encontrada apenas em algumas poucas cidades do País, o que será um diferencial para a realização do nosso evento,” ressalta Nader.
A escolha da UFSCar para sediar a 67ª. Reunião Anual foi uma demanda da própria universidade para a SBPC. Targino de Araújo Filho, reitor da UFSCar e professor de engenharia na mesma universidade desde 1979, afirma que “a expectativa (com a reunião) é grande e a melhor possível. Já estamos trabalhando intensamente para receber os participantes da 67ª Reunião Anual como um grande evento, que muito nos orgulha, especialmente por acontecer no marco das comemorações dos 45 anos da UFSCar”, comemora Targino.
Para o reitor, o evento será uma oportunidade ímpar para toda a comunidade acadêmica, não apenas da UFSCar, mas também das demais instituições que tornam São Carlos conhecida como a “Capital da Tecnologia”: “Vejo, por exemplo, a oportunidade de diálogo, de conhecimento e reconhecimento entre os diferentes grupos de pesquisa, que, mesmo trabalhando tão próximos, às vezes não contam com esses espaços de encontro e debate como os que a Reunião oferece. É também uma oportunidade de ampliar a visibilidade, junto a diferentes públicos, do conhecimento que é produzido em nossas instituições,” disse o reitor.

Programação
Embora o tema central tenha forte conteúdo tecnológico associado à luz, a presidente da SBPC ressalta que todas as áreas do conhecimento serão contempladas na programação científica, como sempre ocorre nas reuniões anuais. “O tema da luz está vinculado a todas as áreas e tem implicações diretas também no campo das humanidades. Portanto, estamos chamando todas as sociedades científicas a participarem ativamente da nossa próxima reunião anual”, conclama Helena Nader. 
A 67ª. Reunião Anual da SBPC será aberta no dia 12 de julho, domingo e se estenderá até o sábado, dia 18, quando será realizado pela segunda vez o Dia da Família na Ciência. Essa nova atividade obteve grande participação de público em sua primeira edição, realizada no último dia da 66ª. Reunião Anual, na Universidade Federal do Acre, em julho de 2014. Também será organizada a ExpoT&C, mostra de ciência e tecnologia, com uma maior participação de empresas de base tecnológica, devido ao ambiente propício da cidade de São Carlos. Ainda pela segunda vez acontecerão os eventos simultâneos SBPC Extrativista e SBPC Indígena, realizados pela primeira vez com sucesso, durante a última reunião anual no Acre.
O reitor Targino comenta que durante uma semana em 2015, “seremos o local, o foco das discussões sobre as políticas, os desafios e as diretrizes para as Ciência, Tecnologia e Inovação brasileiras. A UFSCar é reconhecida por alguns princípios e características que a acompanham desde o início de suas atividades, como, por exemplo, a qualidade e excelência de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão; seu pioneirismo e sua ousadia; e o forte compromisso social, dentre outros. Queremos que essas características estejam refletidas no evento que proporcionaremos, e isto é muito importante para nós, essa associação entre a história e o papel de nossa instituição e a história e o papel da SBPC, tão relevantes para o desenvolvimento de nosso país.

(Fabíola Oliveira / Jornal da Ciência)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Capacitação para Bibliotecários

O curso é destinado aos profissionais que atuam nas unidades públicas estaduais, municipais, comunitárias e rurais.
Cumprindo a missão de coordenar o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) na Paraíba, a Biblioteca Juarez da Gama Batista, da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), realiza nova edição do curso de capacitação para profissionais que trabalham nesse tipo de equipamento. O treinamento será na Escola Estadual Nossa Senhora das Graças, no município paraibano de Ouro Velho (região do Cariri), nos dias 12 e 13 de março, das 8h às 18h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail bibliotecafunesc@gmail.com ou presencialmente, junto à secretaria da escola.
A iniciativa é uma parceria entre Governo do Estado, por meio da Funesc, e associação sociocultural Raízes de Ouro Velho. Formada por jovens do município, a unidade ainda está em fase de implantação e tem como objetivo promover o desenvolvimento da cidade por meio de atividades culturais e educativas.
O curso é destinado aos profissionais que atuam nas unidades públicas estaduais, municipais, comunitárias e rurais. O objetivo é capacitar, gerar conhecimento e aperfeiçoar a atuação do técnico que atua em bibliotecas com noções de gestão, além de atualizar dados cadastrais para manter contato com todos os profissionais do setor. O treinamento é gratuito e as turmas são limitadas em 25 vagas em cada cidade onde vem sendo realizado.
No ano passado, os municípios de Sapé e Guarabira foram contemplados com o treinamento por meio de parcerias entre a Funesc e as respectivas prefeituras. A diretora da Biblioteca Juarez da Gama Batista, Cybelle Macedo, explica que esse critério de limitar a quantidade de pessoas é uma forma de atender melhor aos participantes, sobretudo, nas aulas práticas.
O treinamento básico está dividido em duas etapas. Na teórica, o aluno recebe informações sobre o conceito e a missão das bibliotecas públicas. A parte técnica compreende a atualização profissional, apresentando ao aluno as novas tecnologias e mostrando como usá-la a favor do acesso à informação. O programa inclui noções sobre serviços, equipamentos, formação de acervo, materiais, critérios para classificação de obras raras, processo técnico, classificação, catalogação, organização, empréstimo, pequenos reparos nas obras, preservação e conservação do acervo.
A Biblioteca Nacional disponibiliza um software livre chamado “Biblivre” para todas as unidades públicas, comunitárias e rurais. “No curso, fazemos a divulgação dessa ferramenta e orientamos sobre sua utilização”, explica Cybelle Macedo, que vai ministrar as aulas ao lado de Jussara Ventura, bibliotecária da área de processo técnico.
A Juarez da Gama Batista exerce hoje um papel de destaque na Paraíba por assumir a coordenação do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, vinculado ao Ministério da Cultura e Fundação Biblioteca Nacional. Através do sistema, dá assistência aos municípios estaduais no que diz respeito à implantação de bibliotecas, treinamento e todo apoio técnico. “Uma das suas ações é dar esse suporte, já que muitas unidades instaladas em cidades do interior não possuem o profissional bibliotecário”, afirma a diretora.

Serviço:
Curso de capacitação para profissionais que trabalham em bibliotecas públicas
Data: 12 e 13 de março
Local: Escola Estadual Nossa Senhora das Graças, Ouro Velho/PB
Hora: das 8h às18h
Inscrições: bibliotecafunesc@gmail.com , ou presencialmente, na secretaria da escola
Realização: Governo do Estado / Funesc

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Pesquisa mostra que Brasil tem pouco a festejar no Dia do Professor


País é um dos que menos respeita seus mestres, de acordo com um estudo da Fundação Varkey Gems. Trabalho analisou salário e status da profissão em 21 países.
 
Uma pesquisa recém-divulgada mostra que o Brasil não tem muitos motivos para festejar o Dia Mundial do Professor, celebrado em mais de cem nações neste sábado. O país é um dos que menos respeita os seus professores, de acordo com estudo inédito da Fundação Varkey Gems, sediada nos Emirados Árabes.

A entidade internacional analisou a forma como o docente é valorizado em 21 países, escolhidos segundo critérios de representação regional e de desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). No chamado ranking de status do professor, o Brasil está em penúltimo lugar, à frente apenas de Israel. Do outro lado da lista, China, Grécia e Turquia, respectivamente, são os países que mais respeitam os seus docentes.

Para comparar o status do professor na percepção popular de cada país, a pesquisa levou em conta dados abstratos como o prestígio do magistério em relação a outras carreiras como agente social e médico, e dados concretos como salário médio da categoria nos diferentes países. Pessoas que participaram do estudo também tiveram de responder se elas consideravam que os soldos ganhos pelos docentes deveriam ser atrelados ao desempenho dos alunos.

Pelo resultado, Brasil, França e Turquia consideram que o magistério se assemelharia à profissão de bibliotecário, ao passo que, no Japão, professores são comparados a funcionários públicos. Já na China, o docente chega a ser visto como um médico.

A pesquisa também descobriu que, nos países que mais respeitam o professor, muitos pais encorajam os filhos a seguir essa carreira. Não é o que acontece no Brasil. Enquanto brasileiros, israelenses e portugueses figuram como os que menos incentivam a docência em casa, na China, Coreia do Sul e Egito, as crianças são estimuladas a se tornar professores.

Já na questão salarial, dos 21 países pesquisados, o salário médio do docente brasileiro só é maior do que no Egito e na China. Em média, 59% de todos os pesquisados nessas localidades acreditam que o rendimento do professor deve ser atrelado ao desempenho do aluno. Mas esse percentual se eleva no Brasil, onde 88% acreditam na remuneração variável. Ainda sobre os salários, no Brasil, Reino Unido e Nova Zelândia, a população acredita que professores ganham 20% a mais do que o real soldo para o início de carreira.

Para a diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Fonseca da Cruz, o resultado da Fundação Varkey Gems não surpreende. Segundo ela, o Brasil é um país onde o professor ganha cerca de 40% a menos do que outros profissionais com ensino superior. Mas não é só na questão salarial que o país decepciona:

- Nós não somos um país que valoriza o conhecimento, mas, sim, apenas o título. O aluno quer terminar o ensino médio ou o superior para ter o diploma, mas não tem a preocupação em saber se ele realmente aprendeu - opina Priscila.


(Leonardo Vieira/O Globo)
http://oglobo.globo.com/educacao/pesquisa-mostra-que-brasil-tem-pouco-festejar-no-dia-do-professor-10259494#ixzz2h2mKamZv

segunda-feira, 22 de julho de 2013

15 sites para baixar livros gratuitamente


ereaders 
Para ampliar a sua experiência de leitura, o Catraca Livre fez uma lista com 15 sites nacionais e internacionais em que é possível baixar livros e ler online de maneira legal, sem complicações e, o melhor, de graça.
Ler para aprender, ler para expandir a mente, ler para estimular a memória. Não importa o porquê você dedica tempo para essa atividade, o que vale é aproveitar todos os seus benefícios, seja no papel ou nos modernos leitores digitais.
Confira as opções de leitura gratuita.
1. Universia – Reúne mais de 1.000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.
2. Open Library – Projeto que pretende catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em cerca idiomas.
3. Brasiliana – O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3000 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.
3. Blog Midia8 – Página reúne mais de 200 links de livros sobre comunicação em português, inglês e espanhol para ler online e fazer download.
4. Casa de José de Alencar – A Biblioteca Virtual do site do pai do romance brasileiro disponibiliza para download gratuito 14 de suas obras, incluindo romances e peças de teatro.
5. Read Print – Essa espécie de livraria virtual oferece mais de 8 mil títulos em inglês para estudantes, professores e entusiastas de clássicos.
6. Biblioteca Digital de Obras Raras – O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.
7. Portal Domínio Público – Biblioteca virtual criada para divulgar clássicos da literatura mundial, oferece download gratuito de mais de 350 obras. É possível baixar 21 livros de Fernando Pessoa.
8. Saraiva – A rede de livrarias disponibilizou recentemente 148 livros para download em PDF gratuito. O leitor precisa apenas fazer um cadastro e baixar o aplicativo de leitura para ter acesso às obras.
9. Biblioteca Nacional de Portugal – Entre os destaques do portal está um site dedicado ao escritor José Saramago. Nele estão disponíveis manuscritos do autor.
10. Machado de Assis – Criado pelo MEC, o site disponibiliza a obra completa do escritor – em pdf ou html – para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.
11. Biblioteca Mundial Digital – Oferece milhares de documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.
12. Dear Reader – Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.
13. eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.
14. Projeto Gutenberg – Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.
15. Unesp Aberta – Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita”, o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está aberto s para consulta em diversos formatos.

Texto: Catraca Livre

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cultura do imediatismo

Pensador americano abre polêmica com o conceito de que a cultura do imediatismo apaga o passado, bloqueia o futuro e afeta as nossas escolhas políticas, sociais e ambientais

O tempo já não avança mais. Só o agora interessa. Com a disseminação da tecnologia digital, nos tornamos escravos do presente. Constantemente interrompidos por smartphones, emails e atualizações em redes sociais, perdemos nossa capacidade de planejar e fazer concessões em nome de um benefício posterior. Desorientados, incapazes de dar sentido histórico ao que acontece à nossa volta, vivemos suspensos na urgência do momento, obrigados a dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Os políticos colocam o consenso à frente dos grandes objetivos; e, em vez de acumular capital, o mercado prefere realizar transações satisfatórias apenas para aquele momento. Da mesma forma, a biodiversidade é devastada para manter nosso modo de produção funcionando a pleno vapor. Todos os problemas do planeta são urgentes - crises econômicas, políticas, sociais e ecológicas - e ninguém mais sabe qual deles deve-se resolver primeiro.

Se você reconheceu alguns dos sintomas descritos acima, não se surpreenda. Afinal, não se trata de uma trama distópica de ficção científica, mas de um diagnóstico sobre o mundo contemporâneo. Quem o faz é Douglas Rushkoff, professor de estudos de mídia na The New School University de Manhattan, colunista de cybercultura do "New York Times" e escritor traduzido para mais de 30 línguas. Em seu último livro, o polêmico "Present shock: When everything happens now" ("Choque do presente: quando tudo acontece agora", em tradução livre), que acaba de ser lançado nos EUA, ele afirma que as mídias digitais aboliram a ideia de amanhã. O tempo deixou de ser um conceito linear para dar lugar a uma espécie de "instante prolongado". A nova estrutura mudou nossa forma de pensar política, economia, ecologia e relacionamentos afetivos. Diz respeito tanto a maneira como acompanhamos as narrativas televisivas quanto a que escolhemos os governantes e nos relacionamos com o meio ambiente.

O título do livro é uma referência a "Future shock", obra emblemática do sociólogo e futurólogo Alvin Toffler. Publicada em 1970, com mais de 6 milhões de exemplares vendidos até hoje, defendia a ideia de que o ritmo acelerado da mudança tecnológica e social sobrecarregava as pessoas. A sociedade se transformava depressa demais, e poucos conseguiam acompanhá-la. Para Rushkoff, contudo, esse período encerrou seu ciclo. Desde a virada do século XXI - e principalmente depois dos eventos de 11 de setembro - saímos da era do "futurismo" para o que ele chama de "presentismo". O futuro já chegou, e o mal-estar agora não vem mais da necessidade de construir o mundo, mas de sustentá-lo.

- O presentismo é a principal característica dessa era digital - avalia Rushkoff, de Nova York, em entrevista por telefone ao GLOBO. - A sensação não é mais a de que estamos flutuando através do tempo, e sim congelados em um instante. Não é algo ruim em si, mas muitas pessoas não conseguem lidar com isso. Ficam desorientadas, entrando nesse estado que chamo de "choque de presente". São incapazes de se envolver apenas com o momento. Pior: estão sobrecarregadas por ele. Precisam fazer o máximo num mínimo de tempo. É só ver quem trabalha no mercado de ações. Muitos acabam comprando derivativos em vez de investir em algo que poderá render mais dinheiro no futuro.

Caos mental
As observações não significam que Rushkoff seja um inimigo das novas tecnologias, longe disso. Ele apenas acredita que existe uma má aplicação delas. A beleza do digital, segundo o autor, era nos permitir poupar tempo e escolher uma atividade de cada vez, de acordo com a nossa disponibilidade. Seu uso atual, contudo, provocou o resultado contrário: uma necessidade de fazer tudo e estar em todos os lugares, sem estabelecer prioridades. Distraídos por interrupções constantes, não sabemos mais no que devemos nos concentrar. Começa na nossa rotina de trabalho individual e continua nas decisões coletivas dos escritórios, das instituições e dos partidos políticos.

- Perdemos o direito de esperar - lamenta Rushkoff. - Computadores executam processamento paralelo (processamento da informação com ênfase na exploração de eventos simultâneos na execução de um software), mas não os seres humanos. Conseguimos ficar com mais de uma janela do navegador aberta, mas não podemos estar em duas janelas mesmo tempo. O problema é que as pessoas do outro lado do computador não respeitam isso. Mandam email esperando que você o responda no mesmo minuto em que o recebe, mesmo que não esteja em frente ao computador. O digital não funciona como o analógico. Quando toca o telefone, por exemplo, é preciso atravessar o seu apartamento para atender. Mas o email continua lá, até que você o abra. E a pessoa que o mandou não consegue esperar. Assim, fica a sensação de que temos que estar disponíveis 24 horas por dia. Só que isso não é possível. As empresas não podem querer que fiquemos conectados o tempo todo.

Rushkoff cria novos termos para definir os principais efeitos deste choque de presente. "Overwinding" é a tentativa de condensar prazos enormes em outros muito menores - como experimentar a mesma catarse emocional de uma elaborada peça de cinco atos em um flash aleatório de um reality show, ou a expectativa de ganhar o equivalente a um ano de lucro em uma única Black Friday. Sem falar das donas de casa que esperam parecer 20 anos mais jovens com uma aplicação de botox, mas acabam limitando o rosto a uma única expressão facial.

Já "digifrenia" é o caos mental provocado pela necessidade de "estar" em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele cita o exemplo dos pilotos de drones. Controlando aviões a distância por meios eletrônicos, bombardeiam países longínquos sem sair da sua cidade. Vivendo simultaneamente em dois mundos (o conforto de casa e o campo de batalha), acabam sofrendo ainda mais estresse do que os pilotos de combate que arriscam suas vidas na esfera real. O mesmo pode acontecer com um cidadão comum que já não consegue distinguir sua identidade real daquela que criou para as redes sociais. Enquanto estamos desconectados, nossos avatares continuam existindo e atuando fora do nosso controle - quando as redes sociais os usam para propagandear produtos, ou quando somos marcados em alguma foto no Facebook.

Rushkoff, porém, não pretende fazer alarmismo. Ele admite que, embora não se possa escapar do presentismo, nem todos são infelizes com o fenômeno.

- Certas pessoas têm uma capacidade genuína de viver no presente, e isso é bom. Envolvem-se com o instante, de forma mais desvinculada. É o caso do movimento Occupy, nos EUA, e em certa medida os protestos aí no Brasil. Os brasileiros cansaram de se sacrificar para o futuro. Perceberam que o país está ficando mais rico e querem sua parte dessa riqueza. Mas querem que seja agora.

(Bolívar Torres / O Globo)
http://oglobo.globo.com/amanha/tudo-ao-mesmo-tempo-agora-um-fenomeno-da-era-digital-8969361#ixzz2YePd8tLG